"Vós que lá do vosso império, prometeis um mundo novo...CUIDADO, que pode o povo, querer um mundo novo a SÉRIO!" In: António Aleixo

13/07/2009

Quero ir para POORTUGAAL!


Uma comitiva do Parlamento Europeu a convite de Sócrates e da sua Ministra Lurdinhas, visitam uma escola modelo no nosso país maravilha.
Numa sala da primária cheia de jornalistas a ensaiada professora com ambição a uma futura boa avaliação, pergunta aos alunos:
- Onde temos a melhor escola?
- Aqui em Portugal. - Respondem todos.
- Onde temos o Magalhães, o melhor portátil do mundo?
- Em Portugal. - Respondem.
- E onde há os melhores recreios da Europa?
- Aqui em Portugal. - Respondem mais uma vez.
- E onde existem as melhores cantinas, que servem as melhores sobremesas?
- Na nossa Escola, aqui em Portugal!
A professora ainda insaciada, continua:
- Onde é que vivem as crianças mais felizes do mundo?
- Em Portugal! - Respondem os alunos com a lição bem estudada.
Os tradutores lá iam informando a comitiva estrangeira que abanava a cabeça, cépticos.
Nisto uma garota no fundo da sala começa a chorar baixinho.
Com as televisões em directo, Sócrates, para impressionar convidados e
jornalistas, pondo-se a jeito para as câmaras, resolve acudir à menina
perguntando-lhe:
- Que tens minha Menina?
Resposta imediata da menina, soluçando:
*- QUERO IR PARA POORTUGAAL! *

Nota: A criança tinha visto aquele e-mail sobre a cidade holandeza e confundiu-se! AHAHAHAH!

POSSO? ...MAIS UM GRITO DE RAIVA!


Posso?‏

Grita, grita à vontade.
Tens razão, já é demais.
Nem parece verdade,
Milhões e milhões aos ais!

Sofrer sem culpa e com dor!
Inocentes... mas que pena!
Viver sem paz nem amor,
Injustiça, crueldade, horror!

Gananciosos, malditos,
Invasores. Canalhas.
Importância para ricos!
Direitos humanos sem valor!

Eles e suas leis a seu jeito.
Por isso querem poder.
E muito povo já sem leito
Obedece sem querer.

Abaixo os imbecis.
Abaixo guerras e agressões.
Abaixo os convencidos,
Que são donos das nações!

Ambiciosos, querem poder,
Pois percam as ilusões.
O Mundo há-de vencer
E tirar-vos as razões.•

Publicada por Mara, a autora, em SEMPRE JOVENS

12/07/2009

MÃE ... É PARA SEMPRE!


PARA SEMPRE

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo-
de tirá-la um dia?
Fôsse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Poema de Carlos Drummond de Andrade, publicado pela amiga São

RESPONSABILIZEM-SE OS PARTIDOS PELAS ATITUDES DOS SEUS APANIGUADOS!


Os partidos são responsáveis pelos crimes dos seus dirigentes?

No actual estado de degradação das estruturas partidárias, os partidos são verdadeiras escolas de tráfico de influência Sucedem-se os casos de polícia envolvendo personalidades que se tornaram conhecidas por via da política, em particular nos dois grandes partidos, PS e PSD, e num mais pequeno, o CDS. O PCP e o BE parecem até agora à margem dos casos com maior escândalo público.

No conflito político, os partidos, umas vezes directamente, outras vezes de forma mais sub-reptícia, usam esses casos para se acusarem mutuamente de responsabilidade no que aconteceu. O caso mais estrondoso desse tipo de acusação, muito mais do que insinuação, foi a história da "roubalheira" que Vital Moreira quis usar na campanha eleitoral. O comportamento de Vital Moreira não teve efeitos eleitorais, mas não é claro até que ponto essa acusação engrossa outras do mesmo teor, numa mesma percepção pública de que os "políticos são ladrões", percepção essa que, acima de tudo em tempos de crise, ganha foros de uma evidência incontestável.

Não me interessa aqui discutir se as acusações e suspeitas são ou não são verdadeiras, são ou não são provadas, nem apagar a presunção da inocência, que não está em causa no que digo. O que me interessa é saber se, nestes casos de polícia, envolvendo políticos do topo, caso venham a dar origem a condenações em tribunal ou revelem comportamentos eticamente inaceitáveis, se tem ou não tem sentido considerar comprometidos, logo também responsáveis, os partidos políticos. Saber se, por hipótese, todos os políticos de que se fala no caso Freeport, BPN ou do edifício dos CTT em Coimbra fossem culpados, que parte da culpa sobraria para os partidos políticos. Poder-se-ia atacar o PS pelo caso Freeport, o PSD pelo caso BPN ou dos CTT, o CDS pelos sobreiros e pelos submarinos?

A minha resposta é sim, os partidos políticos individual e colectivamente têm responsabilidade naquilo que de ilegal fazem alguns dos seus altos dirigentes, em particular nos crimes que envolvem o exercício do poder, ou a influência adquirida pelo poder, porque não criaram no seu seio uma cultura de intransigência face a estes crimes, principalmente com todas as formas de tráfico de influência e corrupção, e convivem sem dificuldades com práticas que dão origem a verdadeiras carreiras que desembocam no crime.

No actual estado de degradação das estruturas partidárias, em que a militância desinteressada e a adesão político-ideológica é quase irrelevante em relação à carreira aparelhística, os partidos no seu interior são verdadeiras escolas de tráfico de influência, de práticas pouco democráticas como os sindicatos de voto, de caciquismo, de fraudes eleitorais, de corrupção. É duro de se dizer, mas é verdade e nessa verdade paga o justo pelo pecador.

Um jovem que chegue hoje a um partido político por via das "jotas" entra numa secção e encontra imediatamente um mundo de conflitos internos em que as partes o vão tentar arregimentar. Ele pode esperar vir para fazer política, mas vai imediatamente para um contínuo e duro confronto entre uma ou outra lista para delegados a um congresso, para a presidência de uma secção, para uma assembleia distrital, em que os que já lá estão coleccionaram uma soma de ódios. Ele entra para um mundo de confrontação pelos lugares, que se torna imediatamente obsessivo. Não se fala doutra coisa, não se faz outra coisa do que procurar "protagonismo" e "espaço político".

Se se deixa levar, ou pior, se tem apetência para este tipo de vida, passa a ter uma sucessão de reuniões e começa a pertencer a uma qualquer tribo, herdando os conflitos dos dirigentes dessa tribo e participando do trade off de lugares e promessas e expectativas de carreira. Não lhe custa muito perceber que neste meio circulam várias possibilidades de ter funções cujo estatuto, salário e poder são muito maiores e com menos dificuldades do que se tiver que competir no mercado do trabalho, e tiver que melhorar as suas qualificações com estudos e cursos mais árduos. Por via partidária, ele acede à possibilidade de ser muita coisa, presidente de junta, assessor, entrar para uma empresa municipalizada, ir para os lugares do Estado que as estruturas partidárias consideram "seus" como sejam as administrações regionais de saúde, escolares, da segurança social. E por aí acima.

Veja-se uma biografia típica de aparelho partidário. Nascimento num meio rural, frequência de curso, abandono do curso "por funções políticas", nalguns casos terminado depois numa instituição de ensino superior privada sem grande reputação de exigência. Típica profissão, por exemplo, "consultor jurídico". Pouco depois de chegar às "jotas" já é chefe de projectos num programa público, por nomeação de um secretário de Estado da juventude (o delegado das "jotas" no governo), adjunto numa câmara municipal, depois vereador. Como vereador dirige-se para os lugares de grande confiança política, urbanismo, candidaturas a fundos europeus, contratos-programa. Depois acumula com as empresas municipalizadas. Está a caminho de ser deputado, e eventualmente secretário de Estado numa área em que também é necessário a máxima confiança partidária, juventude, segurança social, comunidades. Ele sabe o que tem que fazer: gerir lealdades e obediências, empregar membros do partido em funções de chefia, subsidiar aquela instituição de solidariedade nacional "das nossas", "ajudar" o partido na terra X ou Y, a começar por aquela de onde vem.

Tudo isto ainda na faixa dos vinte, trinta anos. O grosso da sua actividade tem a ver com um contínuo entre o poder no partido e o poder na câmara municipal, ou no governo, um alimentando o outro. Com a ascensão na carreira, tornou-se ele próprio um chefe de tribo. Pode empregar, fazer favores, patrocinar negócios, e inicia-se quase sempre aqui no financiamento partidário e no perigoso jogo de influências que ele move. Como dirigente partidário ele é o chefe de um grupo que dele depende e que o apoia ou ataca em função dos resultados que tiver, em apoios, prebendas, lugares, empregos, oportunidades de negócios. Começa a enriquecer, a mudar o seu trem de vida. Já há muito que se habituou a ter carro, telemóvel, almoços pagos ou na função ou pela estrutura do partido que lhe dá um cartão de crédito para "trabalho político". Paga do seu bolso muito pouca coisa e conhece todas as formas de viver gratuitamente. Um amigo empreiteiro arranja-lhe uma casa a preço mais barato.

O seu prestígio social é nulo, mas o seu poder partidário cada vez maior. Entra nos combates partidários a favor dos seus e aliando-se com outros que considera de confiança, ou seja gente com o mesmo perfil. Como sabe que o seu "protagonismo" vem do seu poder interno, é a esse poder que dá a máxima atenção. Distribui favores e quem quiser um favor tem que falar com ele no seu território. É ele que interpreta as "bases", logo é ele quem deve escolher os deputados e qualquer nomeação governamental na sua área de influência tem que ter o seu beneplácito. Se a sua ascensão o leva ao topo do poder partidário, já não convive apenas com o empreiteiro local, mas com banqueiros, advogados de negócios e embaixadores. E os negócios em que entra são cada vez maiores.

O seu sentimento de impunidade é já total. Até um dia. E é nessa altura que alguns, muito, muito poucos, caem de um dia para o outro, embora ainda menos sejam condenados. E alguns deles, os mais populistas, ainda conseguem voltar a eleger-se, mantendo os mecanismos do seu poder. A justiça conta pouco, mas, de vez em quando, há um acidente de percurso.

É exactamente porque os partidos políticos, a começar pelas suas direcções, pouco fazem para evitar este tipo de carreiras, ou porque não querem complicações (e esta gente é capaz de gerar enormes complicações) ou porque não podem (sentem-se impotentes e não tem nos partidos forças endógenas para a mudança profunda que é necessária), que têm responsabilidade nos crimes que se possam cometer no seu topo.

Já não me refiro à sua base ou às estruturas intermédias, mas no seu topo.

E assim é que se degrada a democracia.

José Pacheco Pereira, Historiador

A LUTA CONTINUA....


Gentalha... p'rá batalha... mas eles que fiquem na fila da frente

Deixem-me gritar e clamar bem alto,
Por milhões de seres vivendo em dor,
E cujo sofrimento eu exalto,
Fiel, que sou, à força do AMOR.

São já milhões os pobres inocentes,
Em sofrimento atroz por tanta guerra,
Com o recurso a armas tão potentes,
Que podem destruir a própria terra.

Disputas de interesses, de ganância,
Invadiram sistemas, em nações,
Para os quais nada serve a importância
Dos direitos humanos, sem excepções.

São valores que procuram camuflar
Com estudadas leis, feitas a seu jeito,
Contudo, esse tratado a respeitar,
Não é uma coisa vã ..., é um direito!

Cessem as armas, guerras e agressão,
Provocadas por gente que se diz
Detentora da força da razão,
Mas não passam dum molho de imbecis.

E se querem lutar, que sejam eles
Os primeiros da fila, essa gentalha.
Façam esta opção, que é menos reles,
Voltem de novo às lutas, por batalha!

Da Amiga Maria Letra,
transcrito do blogue "Sempre Jóvens"

NEM PARECE UM POLÍTICO A FALAR...


DEPOIMENTO DO PRESIDENTE DA COSTA RICA, QUE MERECE SER LIDO E REFLETIDO

Discurso proferido na presença do Lula e demais presidentes latino-americanos, incluído o "manequim" do Equador, o caloteiro Corrêa, abaixo nominalmente citado.

"ALGO HICIMOS MAL"
Palavras do Presidente Óscar Árias da Costa Rica na Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago, 18 de Abril de 2009

"Tenho a impressão de que cada vez que os países caribenhos e latino-americanos se reúnem com o presidente dos Estados Unidos da América, é para pedir-lhe coisas ou para reclamar coisas. Quase sempre, é para culpar os Estados Unidos de nossos males passados, presentes e futuros. Não creio que isso seja de todo justo.

Não podemos esquecer que a América Latina teve universidades antes que os Estados Unidos criassem Harvard e William & Mary, que são as primeiras universidades desse país. Não podemos esquecer que nesse continente, como no mundo inteiro, pelo menos até 1750 todos os americanos eram mais ou menos iguais: todos eram pobres.

Ao aparecer a Revolução Industrial na Inglaterra, outros países sobem nesse vagão: Alemanha, França, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e aqui a Revolução Industrial passou pela América Latina como um cometa, e não nos demos conta. Certamente perdemos a oportunidade.

Há também uma diferença muito grande. Lendo a história da América Latina, comparada com a história dos Estados Unidos, compreende-se que a América Latina não teve um John Winthrop espanhol, nem português, que viesse com a Bíblia em sua mão disposto a construir uma Cidade sobre uma Colina, uma cidade que brilhasse, como foi a pretensão dos peregrinos que chegaram aos Estados Unidos.

Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coreia do Sul. Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Singapura, e hoje Singapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40.000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos.

Que fizemos errado? Nem posso enumerar todas as coisas que fizemos mal. Para começar, temos uma escolaridade de 7 anos. Essa é a escolaridade média da América Latina e não é o caso da maioria dos países asiáticos. Certamente não é o caso de países como Estados Unidos e Canadá, com a melhor educação do mundo, similar a dos europeus. De cada 10 estudantes que ingressam no nível secundário na América Latina, em alguns países, só um termina esse nível secundário.


Há países que têm uma mortalidade infantil de 50 crianças por cada mil, quando a média nos países asiáticos mais avançados é de 8, 9 ou 10.

Nós temos países onde a carga tributária é de 12% do produto interno bruto e não é responsabilidade de ninguém, excepto nossa, que não cobremos dinheiro das pessoas mais ricas dos nossos países. Ninguém tem a culpa disso, a não ser nós mesmos.

Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Isso não é culpa dos Estados Unidos, é culpa nossa.

No meu pronunciamento desta manhã, me referi a um fato que para mim é grotesco e que somente demonstra que o sistema de valores do século XX, que parece ser o que estamos pondo em prática também no século XXI, é um sistema de valores equivocado. Porque não pode ser que o mundo rico dedique 100.000 milhões de dólares para aliviar a pobreza dos 80% da população do mundo "num planeta que tem 2.500 milhões de seres humanos com uma renda de $2 por dia" e que gaste 13 vezes mais ($1.300.000.000.000) em armas e soldados.

*Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados. Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo? Nosso inimigo, presidente Correa, desta desigualdade que o Sr. aponta com muita razão, é a falta de educação; é o analfabetismo; é que não gastamos na saúde de nosso povo; que não criamos a infra-estrutura necessária, os caminhos, as estradas, os portos, os aeroportos; que não estamos dedicando os recursos necessários para deter a degradação do meio ambiente; é a desigualdade que temos que nos envergonhar realmente; é produto, entre muitas outras coisas, certamente, de que não estamos educando nossos filhos e nossas filhas.

Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece no entanto que estamos nos sessenta, setenta ou oitenta. Parece que nos esquecemos de que em 9 de Novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou. Temos que aceitar que este é um mundo diferente, e nisso francamente penso que os académicos, que toda gente pensante, que todos os economistas, que todos os historiadores, quase concordam que o século XXI é um século dos asiáticos não dos latino-americanos. E eu, lamentavelmente, concordo com eles. Porque enquanto nós continuamos discutindo sobre ideologias, continuamos discutindo sobre todos os "ismos" (qual é o melhor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neo-liberalismo, social-cristianismo...) os asiáticos encontraram um "ismo" muito realista para o século XXI e o final do século XX, que é o *pragmatismo*.


Para só citar um exemplo, recordemos que quando Deng Xiaoping visitou Singapura e a Coreia do Sul, depois de ter-se dado conta que seus próprios vizinhos estavam enriquecendo de uma maneira muito acelerada, regressou a Pequim e disse aos velhos camaradas maoístas que o haviam acompanhado na Grande Marcha: "Bem, a verdade, queridos camaradas, é que a mim não importa se o gato é branco ou negro, só o que me interessa é que cace ratos".


E se Mao estivesse vivo, teria morrido de novo quando disse que "a verdade é que enriquecer é glorioso". E enquanto os chineses fazem isso, e desde 1979 até hoje crescem a 11%, 12% ou 13%, e tiraram 300 milhões de habitantes da pobreza, nós continuamos discutindo sobre ideologias que devíamos ter enterrado há muito tempo atrás.

A boa notícia é que isto Deng Xiaoping o conseguiu quando tinha 74 anos. Olhando em volta, queridos presidentes, não vejo ninguém que esteja perto dos 74 anos. Por isso só lhes peço que não esperemos completá-los para fazer as mudanças que temos que fazer.

Muchas gracias."


E-mail enviado por João Soares

11/07/2009

O MAIOR FRACASSO DA DEMOCRACIA PORTUGUESA


Por especial deferência do João Soares trancreve-se:

"Desde 1976,desde a Constituição R. P. até hoje, na História de Portugal, fica algum político pela inteireza da pessoa, pela integridade praticada, pela gestão eficiente da "res pública", por ser curador do Povo, pela forte defesa dos legítimos interesses do país na UE e no mundo, enfim, por não se ter vendido ao capital financeiro especulativo, aumentando e generalizando a população "a prazo" - (mas, obviamente, protegendo os seus familiares, amigas e amigos e recebendo choruda recompensa pela sua venalidade) - dando a sua achega para que os três pilares "Família, Escola e Trabalho" criem gente frágil (agachada, apanhando do chão as migalhas que lhe deitam da mesa do poder) que vai gerando o alargamento do empobrecimento da população ?
Há algum? Quem é? Bem gostaria de que tivesse havido, ao menos, UM!
E... o "sistema" vai passando ao seguinte que... é a mesma coisa... "quem manda" são sempre os mesmos!
Se encontrar algum político, nas condições do preâmbulo, vote nele. Se não encontrar nenhum, VOTE EM BRANCO, se assim o entender… "

Vale a pena, não é mesmo?


Cantor e compositor argentino, Facundo Cabral nasceu em 22 de Maio de 1937, na cidade de La Plata, província de Buenos Aires.
Depois que o pai abandonou sua mãe com os três filhos, a família emigrou para a Terra do Fogo, sul do país.Com uma infância dura e desprotegida, virou um marginal e foi parar num reformatório. Em pouco tempo conseguiu escapar e, segundo conta, encontrou Deus nas palavras de um mendigo chamado Simeón.
Depois de vastas leituras no campo filosófico-espiritual, teve forças para superar o abandono e a fome, na infância; a morte de sua esposa e filha num acidente aéreo; a cegueira que o acometeu durante dois anos na Guerra do Vietname; e o câncer.
Começou sua carreira musical em 1959, quando mudou-se para Mar Del Plata, cidade balneária argentina. Em 1976, partiu, exilado, para o México, por causa da política interna argentina, e acabou percorrendo aproximadamente 159 países levando sua música e seu pensamento.
Em 1984, retorna à Argentina, já com seu nome consagrado e faz shows em lugares famosos, chegando a lotar com 50 mil pessoas o Estádio de Ferro carril Oeste, em Buenos Aires
Fez sucesso, também, como autor literário e em 1996 a UNESCO o declarou “Mensageiro Mundial da Paz”.

Não estás deprimido, estás distraído, distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia: golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios...

Não caias como caiu teu irmão, que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo.

Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e, graças à solidão, conheço-me, o que é fundamental para viver.

Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta Rubinstein interpretava Chopin, com uma maestria sem igual, aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído. Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só fio de cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas, te liberta de coisas.

Alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas, são apenas lições. Não perdeste coisa alguma.

Aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direcção. E não esqueças que, o melhor dele, o amor, continua vivo em seu coração. Não existe a morte, apenas a mudança. E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, Santo Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.

Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está bendita mente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser, será, e chegará de forma natural. Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor.

Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo. E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te: “amarás ao próximo como a ti mesmo”. Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês é uma obra de Deus, e decide neste exacto momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição. Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever, porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos...

Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Existem tantas coisas para experimentar, e nossa passagem pela Terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.

Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguete francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, A Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero, as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: se a doença ganha, te liberta do corpo, que é cheio de processos (tenho forme, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas), se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado. Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do seu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão, quando for a tua vez. Aliás o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.

Dá sem medida e receberás sem medida. Ama até que te tornes ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor. E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas. O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso. Uma bomba faz mais barulho que uma carícia, porém, para cada bomba que destrói, há milhões de carícias que alimentam a vida...

Vale a pena, não é mesmo?

Facundo Cabral
Publicada por Celle em SEMPRE JOVENS

Homenagem


Como um arco-íris,

Como um cometa resplandecente

através do céu ao entardecer

partiu demasiado cedo.

Desvanecendo num abrir e fechar de olhos,
Partiu demasiado cedo.
Brilhante e cintilante,

E esplendidamente inteligente,
Presente num dia,
Ido numa noite.

Como a desaparecimento do Sol,
Numa tarde nublada,
Partiu demasiado cedo.

Como um castelo,
Construído numa praia arenosa,
Partiu demasiado cedo.

Como uma flor perfeita,
Que está para além do nosso alcance,
Partiu demasiado cedo.

Nascido para divertir, para inspirar, para encantar,
Presente num dia,
Ido numa noite.

Como um pôr do sol,
Morrendo com o nascimento da Lua,
Partiu demasiado cedo.

Partiu demasiado cedo.

Tradução é uma atenção da NÁ

INSÓLITO MAS INTERESSANTE