"Vós que lá do vosso império, prometeis um mundo novo...CUIDADO, que pode o povo, querer um mundo novo a SÉRIO!" In: António Aleixo

19/07/2009

O Mundo de Sócrates - Continua o Faz-de-Conta....


Clara Ferreira Alves, no EXPRESSO, à imagem de Pacheco Pereira, António Barreto, Mário Crespo, Medina Carreira e alguns poucos mais com credibilidade no que resta deste País, diz-nos que, para não nos envergonharmos perante os nossos filhos e netos, teremos de fazer tudo para virar a situação política que se tem vivido!

Assim, continua ela, não admira que neste País "emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido."
Mas, acrescem, segundo ela, os favores que os políticos prestam a altos funcionários e jornalistas levando-os a esconder as verdadeiras notícias ,"prostituindo-os" na sua dignidade profissional.
Isso levou a que, em dado momento, a actividade do jornalismo se constituísse como O VERDADEIRO PODER. Dessa forma "só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades. Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio dos mafiosos," até porque, como ela própria salienta, "a justiça portuguesa não é apenas cega ela é também surda, muda, coxa e marreca."

Verifica-se um déficit de responsabilidade civil, criminal e moral em Portugal bem maior que o seu déficit financeiro. No entanto, nenhum português se preocupa com isso apesar de pagar os custos inerentes a essa situação. Situação essa que, pelo seu secretismo e morosidades, encobre compadrios e cria corrupções. Vivendo-se, assim, no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem se concluir nada.

"Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
Foi a morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve. "
Tudo o que se vem a saber, diz, são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças e, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Em seguida, em reforço do que referiu, enumera uma série de casos de que, até agora, se desconhece o seu fim, a saber: "do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho," para além de outros igualmente mediáticos.
A certa altura pergunta , ela, se "haverá por aí quem acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? "

Ainda, segundo ela, "passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade. Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra. Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade."


Vive-se num País do Faz-de-Conta! Para todos nós este é o maior fracasso da democracia portuguesa!

FANTASIA....EM BELEZA

Esta Fantasia só foi possível pela criatividade de quem a imaginou!

RIR É O MELHOR REMÉDIO...

RIR... FAZ BEM À SAÚDE!

mensagem enviada pela amiga NÁ

18/07/2009

HÁ HORAS FELIZES...

Este título era o refrão usado por um vendedor de lotaria que aparecia entre nós, estudantes, na primeira metade da década de 50 e com o qual pretendia que nós comprássemos uma cautela para termos uma hora feliz.

Mas nem só a lotaria ou o moderno euromilhões nos fazem felizes, pois há outros factores incomensuravelmente importantes. Tive há pouco uma hora feliz de que certamente os colegas do Sempre Jovens se aperceberam, embora não tenham medido a extensão.

Mas eu passo a narrar o sucedido.

Há menos de duas semanas publiquei umas reflexões sob o título Que futuro teremos? que deram origem a uma muito interessante troca de comentários. Nesse texto defendia a esperança de que o mau estado em que o País e o mundo se encontra irá terminar por acções de moralização vindas das camadas mais jovens. Mas nem todas as pessoas partilham dessa esperança e fui discretamente apelidado de utópico patológico, porque a juventude está a crescer num ambiente doentio herdando os vícios e as manhas da sociedade actual.

É certo que isso não me destruiu a esperança por a ter criado com base em argumentos e sentimentos sólidos, mas teria sido mais agradável sentir uma coluna mais densa de seguidores.

Entretanto o amigo Luís, publicou no Sempre Jovens um o post Como limpar um país em horas.... que constava de um vídeo que mostrava como a Estónia se viu livre dos lixos espalhados pelos terrenos florestados, tornando estes mais em conformidade com a Natureza. E ao ver esta actividade tão positiva, talvez um pouco influenciado pelas críticas negativas à minha esperança «utópica» atrás referida, não esperei que surgisse uma iniciativa semelhante por cá, e logo lancei a ideia de fazer algo parecidoa mas em moldes mais rudimentares e simplistas, sem pretender resultados absolutos, no que tive um apoio muito interessante e que ficou definida no post da Fernanda Ferreira transcrito no post Vamos limpar Portugal e no poema de Maria Letra transcrito em Limpemos o caminho que pisamos.

Mas e é aqui que se baseia o título deste texto num dos muitos comentários apareceu o de Elvira Carvalho a informar que o mesmo objectivo está a ser demandado por um grupo de jovens familiarizados com a informática e a Internet e possuidores de saber sobre organização que está a agir para ter Portugal limpo em 31 de Outubro.

Não é um movimento concorrente e rival, mas sim convergente para a mesma finalidade ao qual presto sincera homenagem e agradeço na minha qualidade de português, e ofereço a minha colaboração naquilo que for possível e mais conveniente.

Neste momento tem 451 membros e qualquer pessoa pode inscrever-se, depois de consultar o site Limpar Portugal, e o e-mail é projectolimparportugal@gmail.com.

O grande desejo que nos move é que todos os portugueses adiram e forneçam todo o apoio que puderem. PORTUGAL FICA AGRADECIDO.

Está assim concretizada a força da mudança que previa no post Que futuro teremos?. Depois da poluição física, virá inevitavelmente a limpeza da poluição moral e social nas formas de corrupção, enriquecimento ilícito, peculato, etc de que hoje a imprensa fala em
Falhas de controlo das entidades públicas abrem porta à corrupção , Ana Gomes diz que "nunca existiu vontade política" no combate à corrupção , Inquérito confirma riscos de corrupção e em Sanções "agravadas" para gestores que não apliquem plano anti-corrupção.

17/07/2009

Relatório da Comissão de inquérito ao BPN!


Incompatibilidades

O dr. Vítor Constâncio ainda não percebeu que é um triste símbolo de um ciclo que terminou.
Fiado na sua imensa autoridade, o dr. Vítor Constâncio decidiu pregar um raspanete à Assembleia da República por esta se ter imiscuído nos meandros da supervisão. Nem o relatório final da comissão de inquérito ao BPN, feito à sua medida, conseguiu acalmar os ânimos do governador do Banco de Portugal.
O PS, através da deputada Sónia Sanfona (desafinada - FON...FON...fon…fon...), fez o que pôde: ignorando olimpicamente meses de trabalho parlamentar, apresentou um texto inócuo e inconclusivo, recheado de citações oficiais e de desculpas de mau pagador. Imune a este tipo de simpatias, o dr. Constâncio apresentou-se imediatamente ao país, disposto a desfazer qualquer dúvida sobre a sua iluminada pessoa. Ele que, num dia feliz, já confessara a sua santa "ingenuidade", achou-se agora no direito de explicar que a sua extraordinária actuação estava muito acima das capacidades de qualquer deputado.
Como se viu, só ele, na sua infinita sabedoria, se considera em condições de se avaliar a si próprio, longe da chicana parlamentar e dos golpes sujos da oposição. E ele, como se viu também, considera-se muito: não há falha que o atinja, nem offshore que o diminua. Em guerra aberta com a realidade, o dr. Constâncio acabou, no entanto, por mostrar aquilo que já não consegue ser: um governador do Banco de Portugal.
Durante anos..., o dr. Constâncio transformou o Banco de Portugal numa espécie de porta-voz oficial do ministério das Finanças, com défices ao sabor do cliente e previsões à altura das suas necessidades. A crise económica alargou-lhe os horizontes, juntando à sua reconhecida incompetência ... uma inesperada incompetência técnica que, durante meses a fio, se exibiu, com esplendor, na Assembleia da República. Instrumentalizado pela oposição, o porta-voz do ministério das Finanças acabou por se tornar numa figura menor que, neste momento, incomoda já o próprio Governo. Só ele, na sua megalomania, é que ainda não percebeu que é um triste símbolo de um ciclo que terminou.
A conferência de imprensa que deu, na semana passada, foi a prova de que já ninguém precisava. Enrolado na sua imensa arrogância, o dr. Constâncio pretendeu apresentar-se como um mártir iluminado, sem compreender que o papel de vítima era o único que já não lhe assentava. O exercício saldou-se, como seria de esperar, num espectáculo mais ou menos patético que confirmou apenas a solidão de um homem que se incompatibilizou com o cargo que ainda ocupa. Pior seria impossível.

Constança Cunha e Sá, Jornalista




16/07/2009

CHUVA!

Uma bela e interessante interpretação deste Grupo Coral

15/07/2009

VAMOS LIMPAR PORTUGAL!


Na Europa há um pequeno país chamado Estónia, cujo território em cerca de metade da sua área está coberto por florestas de coníferas. Porém as mesmas florestas foram “decoradas” com lixo doméstico e de construções. Muita gente acha aceitável trazer o seu lixo para a floresta e têm feito isso durante muitos anos. Infelizmente o mesmo se passa em Portugal.

Contudo, um grupo de pessoas acreditava que tudo isso podia mudar e assim começou a ganhar forma a Campanha “Vamos Fazer”.

Esta Campanha, na Estónia, nasceu de uma ideia simples “E se limpássemos TODO O PAÍS?”

Ninguém tinha jamais feito isso e não havia ideia como o fazer. Só tínham a certeza de que podia ser feito. A ideia foi baptizada por “Vamos Fazer” e o plano era limpar 10.000 toneladas de lixo.

Para isso, seria necessário envolver no mínimo 40.000 voluntários.

Em primeiro lugar formou-se uma equipa de 20 voluntários que rapidamente cresceu para um grupo de 650 pessoas.
Foi preciso convidar profissionais para integrar a equipa, o que não foi difícil, uma vez que eles próprios também acreditavam que a acção era possível.

O segundo passo foi juntar pessoas, organizações e comunidades para obter o apoio necessário para a ideia e encontrar parceiros confiáveis.
Os realizadores perceberam desde o início que precisavam do apoio de TODA a sociedade, e então foram em frente. Cada parceiro entrou com o seu sector de recursos. Alguns ajudaram com equipas, outros emprestaram equipamentos, transportes e os “midia” não cobraram nada pela publicidade. A dada altura ninguém recusava nada.


O terceiro passo foi localizar e fazer mapas que mostrassem claramente onde, que tipo e quantidade de lixo existia. Para o efeito criou-se um mapa virtual.
Foi relativamente simples, juntando-se a tecnologias do Google Earth com outros programas freeware criou-se o próprio software que tornou tudo mais fácil. Depois foi necessário tirar fotos, mesmo usando telemóveis, e ir passando essa informação para o mapa de lixo.
Os locais, imagens e informações sobre cada espaço eram enviados directamente para o site e todos podiam acompanhar o processo online. Conseguia ver-se todos os pontos onde existia lixo a aparecer no mapa. No total, 720 voluntários estiveram envolvidos no processo de sinalização destes pontos.

Pergunta crucial, como juntar 40.000 pessoas para limpar tudo?
A primeira tarefa era sensibilizar as pessoas para o problema e mostrar quanto lixo de facto havia. O passo seguinte foi organizar campanhas publicitárias (esta foi a maior campanha publicitária da história desse Pais e não se gastou absolutamente nada).
Actores famosos, músicos, líderes culturais deram a voz e a cara à campanha de graça.
De repente o “Vamos fazer” estava em todos os lugares.
Para facilitar pediu-se às pessoas que se registassem em equipas de trabalho via Internet.

Cada equipa era responsável por limpar um certo campo de lixo.
A apenas duas semanas do dia da limpeza, ainda só havia apenas 10.000 pessoas registadas.
O Dia da Acção – 3 de Maio, 2008 - Mas naquele dia, os sonhos mais impossíveis tornaram-se realidade. Mais de 50.000 pessoas apareceram para participar e o resto da população seguiu através do mídia.


Também participaram nessa acção estudantes russos, alemães, suecos, chineses, finlandeses e lituanos.

Os mídia Internacional acompanharam a mais ambiciosa acção voluntária dos tempos modernos.

Esta experiência teve um alcance Global. Em circunstâncias normais, o governo da
Estónia teria gasto 22,5 milhões de € e três anos neste processo, mas ele foi feito por apenas meio milhão de € NUM DIA.

Todo o território da Estónia ficou limpo em 4 horas.

ELES CONSEGUIRAM! E NÓS IREMOS TAMBÉM CONSEGUIR AQUI EM PORTUGAL!

Ao recebermos esta notícia de operação de limpeza do lixo disseminado pela superfície da Estónia, levada a cabo por toda a população entendemos que uma operação deste tipo seria muito interessante e educativa se aqui fosse efectuada.

Efectivamente, vivemos num lindo planeta, mas estamos a destruí-lo todos os dias.
Há lixo em todos os lugares; praias, cidades, florestas e até nos oceanos.

É preciso limpar o nosso País. Para isso é indispensável a colaboração de todas as pessoas, organizações e comunidades para concretizar esta ideia e encontrar parceiros confiáveis, nas autoridades, nas empresas com meios adequados para este efeito.

Não se trata de acção política, eleitoral, mas se os partidos quiserem, desde já, entrar nessa operação, que deve ser permanente, só terão vantagem aos olhos do povo.

Será útil a colaboração voluntária das pessoas, quem empreste equipamentos, transportes e os “midia” que estimulem os voluntários.

O grande dia de encerramento da operação será 8 de Novembro e, então, quando finalmente o País estiver limpo, será uma expansão da alegria para os portugueses, ao gosto local, conforme a disponibilidade de autarquias e organizações da região.

E será bom que daí se conclua que será mais fácil não poluir, não espalhar lixo, entulhos e escombros.

Esta mensagem deve ser difundida por todos os portugueses, e em cada Freguesia e Concelho, devem ser organizadas as acções mais adequadas, tendo sempre em vista o benefício que daí resultará para o ambiente e para as pessoas.

* Trabalho feito em conjunto com os amigos João e Luís. Contamos com a participação activa de todos os colaboradores e leitores.
Fernanda Ferreira


14/07/2009

A PARTE MAIS IMPORTANTE DO CORPO


As pessoas só aprendem esta lição quando precisam de apoio e não o têm!

OBSERVATÓRIOS PARA QUÊ???


OBSERVAR

Para quê criar observatórios dependentes do Governo? Para que servem as inspecções e as direcções-gerais? A notícia é simples. O Tribunal de Contas fez um estudo de algumas obras públicas. Cinco, ao todo: a Ponte Rainha Isabel, em Coimbra; a Casa da Música, no Porto; o túnel do Terreiro do Paço, em Lisboa; o túnel do Rossio, também em Lisboa; e o Aeroporto Sá Carneiro, no Porto. Foram detectados atrasos, no acabamento das obras, entre um a mais de quatro anos, o que dá, em média, o dobro do tempo de construção para cada obra. As derrapagens financeiras nos custos elevaram-se, no total, a 241 milhões de euros.
Entre as suas conclusões, o Tribunal de Contas sugere que seja criado um Observatório das Obras Públicas, com as funções de acompanhar e vigiar o processo de construção, o cumprimento dos calendários e a evolução dos custos. Uma entidade deste género estaria já prevista na lei, mas nunca teria funcionado.
O Governo, pela voz de representante do Ministério das Obras Públicas, concordou e garantiu que tal Observatório seria criado e entraria em funcionamento no segundo semestre de 2009. Segundo a mesma fonte, a sua "operacionalização" está dependente de uma certificação de software. O Tribunal de Contas congratulou-se com a resposta pronta do Governo.
Muitos foram os que celebraram a intenção do Governo. Até um ex-ministro das Obras Públicas, João Cravinho , aprovou, não sem franzir o sobrolho: "O que é preciso é fazer cumprir a legislação. O fundamental é estabelecer, nas regras de contratação, as disposições que permitam tornar extremamente penalizadora a derrapagem".

O processo de criação deste Observatório, cuja utilidade está por provar, só tem um paralelo: o das obras públicas que se propõe observar. Na verdade, há pelo menos cinco anos que este Observatório está em projecto e foi anunciado. O organismo de combate à derrapagem foi o primeiro a derrapar!
Em Novembro de 2004, com efeito, o então ministro das Obras Públicas, António Mexia, foi ao Parlamento anunciar a criação de um Observatório das Obras Públicas. Nada aconteceu, que se saiba. Dois anos depois, em Maio de 2006, o novo ministro, Mário Lino, anunciava a "criação de um Observatório das Obras Públicas, com vista a garantir um maior rigor na observação, atenta e sistemática, da Obra Pública, o que permitirá conhecer as causas dos desvios nos custos e nos prazos de execução das obras, e promover o conjunto de acções conducentes à sua eliminação". Ainda nesse ano, o Governo renova as suas intenções de "integrar num só documento toda a legislação publicada, criar um Observatório de Obras Públicas, de modo a determinar as causas dos desvios nos custos e nos prazos de execução". Mais um tempo e, em Novembro de 2006, novamente Mário Lino anuncia a fundação de um "Observatório de Obras Públicas que permita ao Estado avaliar o desempenho concreto de cada operador económico em cada obra". Em Outubro de 2007, o ministro volta a anunciar, na Assembleia da República, a "intenção de criação do Observatório de Obras Públicas, que terá como objectivo analisar e acompanhar todos os contratos de empreitadas de obras públicas". No ano seguinte, em Janeiro de 2008, o decreto que aprova o Código dos Contratos Públicos cria o Observatório das Obras Públicas. Passam os meses. Em Julho, uma portaria do ministério define as regras de funcionamento do sistema de informação designado por Observatório das Obras Públicas: "A presente portaria procede à constituição e à definição das regras de funcionamento do sistema de informação designado por Observatório das Obras Públicas, nos termos do disposto no artigo 466.º do Código dos Contratos". E assim chegámos a Junho de 2009. O Tribunal de Contas propõe e o Governo aceita. É anunciada a criação do Observatório

Os efeitos deste Observatório, se vier a ser criado, são imprevisíveis. O modo de nascimento de certas organizações define já o que serão: pretextos ou empregos. Os observatórios entraram em moda há alguns anos e multiplicaram-se. Entre úteis e inúteis, a lista telefónica revela-os às dezenas.

O Observatório do QREN é uma estrutura de missão destinada a assegurar o exercício das actividades técnicas de coordenação e "monitorização" estratégica do Quadro de Referência Estratégico Nacional.
Em Abril de 2009, a ministra da Educação, o secretário de Estado adjunto e da Administração Local e a Associação Nacional de Municípios Portuguesas acordaram em criar o Observatório das Políticas Locais de Educação.

O Observatório da Emigração é uma instituição criada em 2008 pela Secretaria de Estado das Comunidades em "parceria" com o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.
O Observatório da Imigração é uma unidade criada no âmbito do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, que pretende aprofundar o conhecimento sobre a realidade da imigração em Portugal.

O Observatório Permanente da Justiça Portuguesa, criado no âmbito do Ministério da Justiça, está sedeado no Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde funciona desde 1996.

O Observatório Português dos Sistemas de Saúde tem como finalidade proporcionar uma análise precisa, periódica e independente da evolução do sistema de saúde português.

O Observatório do Turismo é o órgão responsável pelo acompanhamento, divulgação e análise da evolução da actividade turística.

O Observatório dos Mercados Agrícolas e Importações Agro-Alimentares foi criado pela Assembleia da República.
Este não é o catálogo.


Ficaram muitos por enumerar, como o Observatório de Segurança de Estradas, o Observatório do Endividamento dos Consumidores, o Observatório das Desigualdades, o Observatório de Prospectiva na Engenharia e Tecnologia, o Observatório da Publicidade, o Observatório do Comércio, o Observatório da Ciência e do Ensino Superior, o Observatório das Actividades Culturais ou o Observatório do Emprego e Formação Profissional. Sem falar nos observatórios municipais, que os há, nos regionais, que também existem, e nos privados, que não faltam.

Para quê criar observatórios dependentes do Governo? Para que servem as Inspecções e as Direcções-Gerais? Por que não contratar entidades independentes, exteriores à Administração Pública, privadas ou estrangeiras? Já agora, comparem-se os prazos e os custos de obras públicas com grandes empreendimentos privados, a Ponte do Carregado, por exemplo, ou os grandes centros comerciais. O resultado é uma vergonha para a Administração Pública.

António Barreto, Sociólogo - Retrato da Semana – 20090614

13/07/2009

CHEGOU A HORA DE DIZER ADEUS... VOTE EM BRANCO!


Se votar em branco castigará todos os partidos que estão ligados a esta "palhaçada" que dizem ser democracia