João César das Neves, no seu artigo no DN, de 14/12/2009, foca o problema do Desemprego, afirmando que este é o elemento mais dramático da crise. Não só pelo impacto produtivo que é terrível mas ainda pelos seus efeitos não serem apenas económicos ou financeiros. Nos tempos que correm, segundo ele, a profissão faz parte da identidade pessoal, e perdidas referências espirituais ou ideológicas, muita gente coloca na sua ocupação a própria razão de existir. O sofrimento é grande, mas lidar com um mal destes exige enfrentar de forma clara e decisiva a questão. Assim a única forma de combater o desemprego é através de uma das coisas mais simples e mais exigentes: mudar Atitudes.
Há que interiorizar que o estar desempregado não é vergonha e que pedir emprego é uma honra. Dignificar a situação é meio caminho para a resolver. O desemprego é uma questão económica, resolvida nas empresas, mercados e investimentos sendo que os programas estatais, no seu pensamento, costumam complicar mais do que ajudam, e por isso mesmo os melhores governos são os que estragam pouco, mas há muito que não tem havido desses por cá.
Outro erro consiste em se achar que os empregos nascem nas árvores. Os empregos primeiro criam-se, só depois podem ser ocupados. Muitos desempregados deveriam lançar o próprio negócio, sem acreditar na geração expontânea de tarefas. Trabalhar é ser útil, criar valor. Desprezando-se empresários e gestores, tratando-os como exploradores, parasitas ou pior, e o Governo perseguindo-os com impostos, regulamentos e fiscalizações criam-se, com tais atitudes, condições para, no seu dizer, se verificar um Desemprego crescente.
Outro disparate é pensar que se trabalha só no que se quer e no que se gosta, não no que é preciso. Não existe falta de empregos em Portugal, que criou centenas de milhares nos últimos anos. O que aconteceu é que esses trabalhos não agradaram aos nacionais e tiveram de vir multidões de emigrantes para os ocupar. Mesmo com a crise persiste a falta de trabalhadores em muitas funções. É difícil encontrar canalizadores e electricistas enquanto sobram advogados e professores. Para funções à secretária há chusmas de candidatos, mas noutras secções as disponibilidades são escassas. É ponto assente que há quem se indigne por já não ser verdade que o curso superior garanta emprego bom e fácil. Mas é assim há mais de 20 anos. No antigo regime a escassez de licenciados dava-lhes facilidades momentâneas, há muito desaparecidas. É tempo de ser realista e procurar estudos e formações úteis, ainda que não pomposas.Outra ideia que importa desmistificar é pensar que, porque o montante de trabalho é fixo, os empregados tiram empregos aos desocupados. É o trabalho que gera a necessidade de mais trabalho. Aqui não há partilha, mas crescimento ou o contrário quando se lutar pela sua divisão.
Considerar fora de prazo pessoas de certa idade, ainda com décadas de capacidade e eficácia à sua frente e usar a reforma para promoção do emprego isso, segundo o mesmo jornalista, além de um infame crime nacional estrangula empregos e paralisa a economia.
Por outro lado há décadas a saúde precária recomendava reforma aos 60 anos, idade que na altura era pouco provável de se atingir. Hoje isso já não é preciso porque as pessoas vivem válidas até muito mais tarde. Para ele, políticos míopes usam o tema para demagogia e criam problemas terríveis, e o mais espantoso é os próprios trabalhadores aceitarem a ociosidade e inacção, na triste irrelevância que lhes custa tanto quanto ao País.
Desta forma, em sua opinião, foi possível atingir-se a catástrofe actual através dos erros fortes e consistentes atrás apresentados.