"Vós que lá do vosso império, prometeis um mundo novo...CUIDADO, que pode o povo, querer um mundo novo a SÉRIO!" In: António Aleixo

23/12/2009

INDIGNAÇÃO!!!

Por cá passa-se exatamente o mesmo,

temos que mostrar a nossa Indignação!!!

22/12/2009

COITADO DO MEU PAÍS!

Portugal está doente

O diagnóstico é conhecido. Para financiar a sua estrutura, o Estado português saca dos contribuintes, em percentagem do PIB, um valor em linha com os parceiros europeus.

Mas as despesas excedem em muito as receitas. E nascem os défices. Que têm de ser pagos com juros. O valor acumulado, que é a dívida pública, já ameaça transformar-nos num país ingovernável.


Sendo este o filme, que papel para os actores? Primeiro, os executivos. Vítor Constâncio, que conhece bem os números, sugeriu para correcção do défice um aumento de impostos. Teixeira dos Santos disse que não. E Sócrates corroborou. Mas quando os jornalistas quiseram saber se a promessa era para 2010 ou para toda a legislatura, atirou-lhes um "bom dia meus senhores" e desapareceu. Foi salvo pelas segundas linhas: impostos? Sim, não, talvez... em 2011. A confusão é grande.

Depois, os opositores. Se o problema está no défice, há várias "soluções". Do PCP: aumentar os salários. Do Bloco de Esquerda: antecipar as reformas. Do CDS: baixar os impostos. E quando se pensava que o cardápio estava esgotado eis que se juntam todos, agora também o PSD, e ali mesmo decidem adiar o Código Contributivo e impor ao Governo um "plano" revolucionário: travar as receitas e aumentar as despesas! Pior era impossível.

A seguir, os analistas. Ouvidas sobre o tema as principais empresas de avaliação de risco - a Moody's, a Standard & Poor's e a Fitch -, a opinião foi semelhante: com a dívida pública descontrolada, é óbvio que o risco português aumenta. Ou, se preferirem, o nosso ‘outlook' é negativo. O que significa entrar numa espécie de círculo vicioso do endividamento: aumenta o défice, que baixa o ‘rating', que sobe os juros, que eleva o défice ainda mais. É a fuga em frente.

Por último, os ‘outsiders'. Eles acham que os políticos fazem o seu papel e que os homens do ‘rating' são uns exagerados. Se a Europa do euro nos convidou, agora que nos ature. O défice é de 20? De 50? De 300? De milhares de milhões? Eles que paguem. Pois não é esse o significado da expressão "a Europa nunca nos deixará cair!"? Enfim...

Numa viagem que há-de levar-nos à loucura, acelerámos o passo: a confusão, a irresponsabilidade, o sufoco, o delírio... Coitado do meu país.

Daniel Amaral, Economista

Mais outra vergonha nacional

MAIS OUTRO ATAQUE DOS CORRUPTOS DESTE PAÍS.
Estranho que ninguém seja pelo menos indiciado, pois presos não serão de certeza. Isto só lá vai a tiro...
A Unidade de Combate à Fraude da União Europeia contratou peritos externos para investigar o paradeiro de 50 mil milhões de fundos que ninguém sabe onde param
Peritos em finanças públicas estiveram em Portugal nos últimos meses, a mando da união Europeia, à procura do destino de mais de 50 mil milhões de euros em fundos estruturais que Portugal recebeu desde o ano 2000, mas que agora parece ninguém saber onde foram aplicados - se é que o foram. Para a Comissão Europeia o que está em causa é que todo o dinheiro investido em quatro eixos fundamentais de desenvolvimento deviam ter dado frutos. Mas não deram e a CE quer agora saber o que foi feito ao dinheiro, entregue ao Estado para formação e desenvolvimento.(...)
(...) Os investigadores internacionais estão agora à procura dos 10 milhões de contos (cerca de 50 mil milhões de euros) que entraram em Portugal e foram distribuídos para quatro grandes eixos:
14 mil milhões para a qualificação e o emprego;
16 mil milhões para alterar o perfil produtivo do País;
5 mil milhões para "afirmar o valor do território e da posição geo-económica";
15 mil milhões para o desenvolvimento sustentável das regiões mais pobres.
A Europa olha para o trabalho feito e não vê resultados. Perante estas denúncias e a estagnação do desenvolvimento, a Comissão Europeia levanta agora a hipótese dos dinheiros terem caído em mãos ilícitas. (...)

(...)Augusto Morais, presidente da ANPME - Associação Nacional das PME - recebeu há semanas a visita da inspectora delegada Anca Dumitrescu, enviada pela CE para investigar os fundos do EIP - Entrepreneurship and Innovation Programme, IEE - Intelligent Energy for Europe e ICT - Information and Communication Technologies - programas financiados pela União Europeia. É a primeira vez que um organismo da União Europeia decide investigar directamente junto de entidades privadas, passando por cima dos organismos de controlo do Estado membro. Surpreendido pela visita da inspectora, Augusto Morais considera haver "uma fundada suspeita de sérias irregularidades e que o Tribunal de Contas deve investigar, com urgência, para não sermos apanhados pela CE em processos com apontamentos de corrupção, muito maiores do que o 'Face Oculta'". A ANPME aponta o dedo aos parceiros sociais: "São quem recebe mais dinheiro do Estado para organizar acções de formação e desenvolvimento. (...) Os ministros, desde Elisa Ferreira a Manuel Pinho, tiveram nas mãos muito dinheiro para contrariar estes dados, mas infelizmente as estatísticas continuam a traçar um padrão negro. Por isso, os empresários, os economistas e os analistas perguntam: onde foi gasto tanto dinheiro, se não teve resultado".
PSD questiona governo
Paulo Rangel, lançou esta semana sérias dúvidas sobre a aplicação dos fundos comunitários. Rangel estranha o silêncio do ministro da Economia, Vieira da Silva, sobre "a aplicação deficiente dos fundos comunitários (...) A situação dos fundos comunitários é de tal forma grave que é impensável que a pessoa que tem a pasta do QREN não tenha dado uma palavra sobre isso". Ainda este mês o Governo vai ter que devolver a Bruxelas mais de 270 mil euros mal aplicados nos Açores, depois de em 2002 ter havido uma queixa de uma empresária de S. Miguel à CE sobre o Sistema de Incentivos de Base Regional. O dinheiro, em vez de servir todos os empresários necessitados, terá sido distribuído em circuito fechado. A falta de legislação para avaliar estas situações e o contínuo recurso às entidades europeias implica que cada queixa demora, em média, seis anos e meio a ser investigada. Segundo o último relatório do Tribunal de Contas Europeu, Portugal está envolvido em quatro casos de irregularidades. Dois dizem respeito aos pagamentos efectuados para a expropriação de terras para a construção de SCUTs. Ao todo, o País pode ter que devolver à CE mais de 80 milhões de euros em consequência da má administração e aplicação dos fundos comunitários.(...) in O Diabo
Obs: não dei conta na imprensa dita "de referência" que, a visita de Anca Dumitrescu, tenha sido notada. Da visita dos peritos em finanças públicas, também não. De tudo o resto, não sendo uma notícia é contudo, mais uma confirmação do oceano de suspeitas que são ciciadas, há muito anos.
David Oliveira


Poema às crianças maltratadas!

RESPOSTA ADIADA

Nas perguntas - e são tantas!
Que me faço dia-a-dia,
Sem respostas encontradas ...,
Há esta que eu gostaria
De saber esclarecida,
Porque não me dá descanso:
Porque sofrem as crianças
Que tanta gente ignora,
Magoadas, maltratadas
Por vis adultos, sem pejo
De ferir as suas mentes
De doces seres inocentes?
Como é que alguém acredita
Em milagres, Santos Deus,
Quando crianças padecem
Dores de bradar aos céus,
Arrastando em seu sofrer
Outras pessoas que sentem
A dor de as verem assim?
Que desgraça, que desdita
Termos de assistir, meu Deus,
Aos que não se compadecem
Com tanto mal. Que fazer?
Permitir que as violentem,
Deixando este mal sem fim?
Toda a justiça que adia
Veredictos por sair,
Não é justiça, é indecência.
Porque, entretanto, essa via,
Continua a permitir
Uma enorme prepotência.

MARIA DE LURDES LETRA


Publicado no Blogue Sempre Jovens

20/12/2009

DIFERENÇAS... Mário Crespo

Mais uma vez Mário Crespo revela o seu caracter, a sua independência, a sua isenção e a sua cultura democrática ao dizer:

"Assistir ao duríssimo questionamento da comissão de inquérito senatorial nos Estados Unidos para a nomeação da juíza Sónia Sottomayor para o Supremo Tribunal é ver um magnífico exercício de cidadania avançada. Não temos em Portugal nada que se lhe compare. Se os nossos parlamentares tivessem a independência dos congressistas americanos, Cavaco Silva nunca teria sido presidente, Sócrates primeiro-ministro, Dias Loureiro Conselheiro de Estado, Lopes da Mota representante de Portugal ou Alberto Costa ministro da Justiça. O impiedoso exame de comportamentos, curricula e carácter teria posto um fim às respectivas carreiras públicas antes delas poderem causar danos."

Igualmente ao comparar o que passa na nossa Assembleia da República com o Senado Americano lembra:

"Se a Assembleia da República tivesse a força política do Senado, os negócios do cidadão Aníbal Cavaco Silva e família, com as acções do grupo do BPN, por legais que fossem, levantariam questões éticas que impediriam o exercício de um cargo público. Se o Parlamento em Portugal tivesse a vitalidade democrática da Câmara dos Representantes, o acidentado percurso universitário de José Sócrates teria feito abortar a carreira política. Não por insuficiência de qualificação académica, que essa é irrelevante, mas pelo facilitismo de actuação, esse sim, definidor de carácter."

Nesse seu artigo diz ainda que tanto Lopes da Mota como Alberto Costa pelos seus antecedentes nunca teriam ocupado os lugares que atingiram por pura e simplesmente não inspirarem confiança ao Estado, segundo os padrões de exigência existentes nas diversas Comissões do Senado que analisam os comportamentos dos políticos quando indigitados para irem ocupar lugares na Governação.

Segundo ele "se houvesse um Congresso como nos Estados Unidos, com o seu papel fiscalizador da vida pública, por muito forte que fosse a cumplicidade dos afectos entre Dias Loureiro e Cavaco Silva, o executivo da Sociedade Lusa de Negócios nunca teria sido conselheiro presidencial, porque o presidente teria tido medo das cargas que uma tal nomeação" (...)


(...)"Mas nem Cavaco teve medo, nem Sócrates se inibiu de ir buscar diplomas a uma universidade que, se não tivesse sido fechada, provavelmente já lhe teria dado um doutoramento, nem Dias Loureiro contou tudo o que sabia aos parlamentares, nem Lopes da Mota achou mal tentar forçar o sistema judicial a proteger o camarada primeiro-ministro, nem Alberto Costa se sentiu impedido de ser o administrador da justiça nacional em nome do Estado lá porque tinha sido considerado culpado de pressionar um juiz em Macau num caso de promiscuidade política e financeira."

Por tudo isto nenhum destes actores teria passado nas audições para o casting de papéis relevantes na vida pública nos Estados Unidos. Mas por cá nem se franziram sobrolhos nem houve interrogações, não houve ninguém para fazer perguntas a tempo e, pior ainda, não houve sequer medo ou pudor que elas pudessem ser feitas.

Por tudo que foi dito anteriormente chega-se à conclusão que a "cidadania" que se vive em Portugal está a anos luz da cidadania avançada que regula a Democracia Americana!

É por isso, digo eu, que vivemos "nas Trevas"!


18/12/2009

Desemprego e Atitude

João César das Neves, no seu artigo no DN, de 14/12/2009, foca o problema do Desemprego, afirmando que este é o elemento mais dramático da crise. Não só pelo impacto produtivo que é terrível mas ainda pelos seus efeitos não serem apenas económicos ou financeiros.

Nos tempos que correm, segundo ele, a profissão faz parte da identidade pessoal, e perdidas referências espirituais ou ideológicas, muita gente coloca na sua ocupação a própria razão de existir. O sofrimento é grande, mas lidar com um mal destes exige enfrentar de forma clara e decisiva a questão. Assim a única forma de combater o desemprego é através de uma das coisas mais simples e mais exigentes: mudar Atitudes.

Há que interiorizar que o estar desempregado não é vergonha e que pedir emprego é uma honra. Dignificar a situação é meio caminho para a resolver. O desemprego é uma questão económica, resolvida nas empresas, mercados e investimentos sendo que os programas estatais, no seu pensamento, costumam complicar mais do que ajudam, e por isso mesmo os melhores governos são os que estragam pouco, mas há muito que não tem havido desses por cá.

Outro erro consiste em se achar que os empregos nascem nas árvores. Os empregos primeiro criam-se, só depois podem ser ocupados. Muitos desempregados deveriam lançar o próprio negócio, sem acreditar na geração expontânea de tarefas. Trabalhar é ser útil, criar valor.


Desprezando-se empresários e gestores, tratando-os como exploradores, parasitas ou pior, e o Governo perseguindo-os com impostos, regulamentos e fiscalizações criam-se, com tais atitudes, condições para, no seu dizer, se verificar um Desemprego crescente.

Outro disparate é pensar que se trabalha só no que se quer e no que se gosta, não no que é preciso. Não existe falta de empregos em Portugal, que criou centenas de milhares nos últimos anos. O que aconteceu é que esses trabalhos não agradaram aos nacionais e tiveram de vir multidões de emigrantes para os ocupar.


Mesmo com a crise persiste a falta de trabalhadores em muitas funções. É difícil encontrar canalizadores e electricistas enquanto sobram advogados e professores. Para funções à secretária há chusmas de candidatos, mas noutras secções as disponibilidades são escassas.

É ponto assente que há quem se indigne por já não ser verdade que o curso superior garanta emprego bom e fácil. Mas é assim há mais de 20 anos. No antigo regime a escassez de licenciados dava-lhes facilidades momentâneas, há muito desaparecidas. É tempo de ser realista e procurar estudos e formações úteis, ainda que não pomposas.

Outra ideia que importa desmistificar é pensar que, porque o montante de trabalho é fixo, os empregados tiram empregos aos desocupados. É o trabalho que gera a necessidade de mais trabalho. Aqui não há partilha, mas crescimento ou o contrário quando se lutar pela sua divisão.

Considerar fora de prazo pessoas de certa idade, ainda com décadas de capacidade e eficácia à sua frente e usar a reforma para promoção do emprego isso, segundo o mesmo jornalista, além de um infame crime nacional estrangula empregos e paralisa a economia.

Por outro lado há décadas a saúde precária recomendava reforma aos 60 anos, idade que na altura era pouco provável de se atingir. Hoje isso já não é preciso porque as pessoas vivem válidas até muito mais tarde. Para ele, políticos míopes usam o tema para demagogia e criam problemas terríveis, e o mais espantoso é os próprios trabalhadores aceitarem a ociosidade e inacção, na triste irrelevância que lhes custa tanto quanto ao País.

Desta forma, em sua opinião, foi possível atingir-se a catástrofe actual através dos erros fortes e consistentes atrás apresentados.




Agulha que salva!

Uma agulha pode salvar a vida de alguém com começo de AVC..

Uma agulha pode salvar a vida de um paciente com princípios de derrame.... Guarde uma seringa ou uma agulha para fazer isto - é um método nada convencional para recuperar alguém de um derrame.

Quando um derrame estiver a ocorrer fique calmo. Independentemente de onde a vitima estiver, não a mova do lugar. Quando o derrame acontece, as veias capilares no cérebro vão-se gradualmente rompendo. Se a pessoa for movida os capilares vão se romper. Se tiver na sua casa uma seringa melhor. Se não tiver, pode usar uma agulha de costura ou um alfinete.

Em seguida proceda do seguinte modo:

1. Aquela a agulha/alfinete para esterilizar e depois dá uma alfinetada em todos os dedos das mãos do paciente.
2. Não há pontos específicos nos dedos para a acupunctura, mas pode picar 1 milímetro perto da unha.
3. Pique até o sangue começar sair. Se o sangue não começar a sair, então aperte com os dedos.
4. Quando todos os dedos começarem a sangrar, espere alguns minutos e depois puxe as orelhas do paciente até ficarem vermelhas. Pique cada um dos lóbulos das orelhas até começar a sair uma gota de sangue de cada lóbulo. Depois de alguns minutos a pessoa começará a recuperar os sentidos.
5. Espere até que recupere o estado normal e leve-o para o hospital.

Se for levado à pressa para o hospital, a viagem turbulenta vai fazer com que os vasos capilares no cérebro se rompam.

Tirar gotas de sangue para salvar vidas é um processo de um médico de medicina tradicional chinesa.. Ele chama-se Ha Bu Ting. Quem já teve experiência prática sobre o assunto pode dizer que este método é 100% eficaz.

Normalmente as vitimas de derrame sofrem danos irreparáveis nos capilares do cérebro durante o percurso para o Hospital. Como resultado, essas vítimas nunca se recuperam. Por isso, o derrame é a segunda maior causa de morte. Os que têm sorte podem sobreviver, mas ficam paralíticos para toda a vida. É coisa horrível de acontecer na vida de alguém.

Envie este email depois de ler. Vocé pode salvar alguém de ter um derrame.

17/12/2009

ENTÃO E EU...


" ENTÃO E EU, TODO O MUNDO ME ESQUECEU?"
Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
-- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!

João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar - 1996
Poeta e historiador
Autor de, entre outros livros, “História e Poesia de Portugal”

Também publicado no blogue "A Casa da Mariazita"

16/12/2009

Vara e os robalos...



«Nunca recebi presentes do senhor Manuel Godinho. A não ser quando se deslocou a Vinhais e me ofereceu uma caixa de robalos.», Armando Vara, no DN

"A Pobreza em Portugal é uma vergonha"

Desculpem a transcrição integral deste artigo que me foi envido por Amigo, mas o assunto é de tal importância que a isso me obrigou.

Fernando Nobre, fundador e presidente da AMI, quebrou o politicamente correcto que marcou o debate de dois dias no 3º Congresso da Ordem dos Economistas sobre a Nova Ordem Económica. Nobre fez um discurso, a uma plateia cheia de economistas, actuais e ex-responsáveis políticos, gestores e empresários. Conseguiu palmas da plateia e introduziu um sentimento de urgência e indignação que, até a esse momento, esteve ausente do debate.
"É uma vergonha a pobreza que temos em Portugal". "Não me falem dos problemas de aumento do salário mínimo. "Quem é que aqui nesta sala consegue viver com 450 euros?", "Não me venham com cirurgias plásticas para as mudanças que vão acontecer no mundo", foram algumas das frases que deixou aos economistas presente.
Nobre, médico e professor, interveio num painel que abordou o papel das organizações não governamentais (ONG) na nova ordem económica mundial defendendo que além do seu papel no apoio à sociedade e de compensação por falhas dos governos, as ONG têm um papel essencial na denuncia de injustiças e desequilíbrios, e na pressão para que o mundo possa mudar. E foi isso mesmo que fez.
O presidente da AMI diz que "em Portugal é preciso redistribuir melhor a riqueza", que "há dezenas, senão centenas de milhares de jovens a sair de Portugal porque perderam a esperança". Inconformado, disse que "combater a pobreza é uma causa nacional", e salientou: "Não me venham com os 18% de taxa de pobreza, porque se somássemos os que recebem o rendimento social de inserção, os que recebem o complemento solidário para idosos, os que recebem o subsídio disto, e o subsídio daquilo, temos uma pobreza estrutural no nosso país acima dos 40%". "Não aceito esta vergonha no nosso país"
O nível de desemprego, as baixas reformas, a precariedade dos contratos de trabalho foram outras áreas que lamentou.
Os empresários também não foram poupados.
"Quando vejo a CIP a defender que o salário mínimo não aumente não posso concordar. Que país queremos? Quantos de nós aqui conseguiriam viver com 450 euros por mês?", perguntou à audiência, deixando depois um repto aos empresários: "Peço aos empresários para serem inovadores, abram-se ao mundo, sejam empreendedores".

"É o momento de repensar que mundo queremos", e recorrendo à frieza com que os médicos olham para a vida afirmou: "eu sei como vou morrer, sei como todos aqui vão morrer. E não é nessa altura, não é quando começarem a sentir a urina quente a correr pelas coxas, que vale a pena repensar a nova ordem económica mundial. É agora. As futuras gerações não vão perdoar".
Sobre o estado das economias, embora não sendo economista, avisou para os riscos que pendem sobre as economias e que os economistas presentes não abordaram: o risco de um crash obrigacionista, a falência de fundos de pensões pelo mundo, os milhões investidos em produtos derivados. "Não é razão para cedermos a paranóias, mas é preciso questionar se as economias capitalistas estarão à altura do desafio", disse, acrescentando: "É precisa prudência, bom senso e cuidados com os cantos da sereia".
E voltando aos seus conhecimentos médicos terminou dizendo: "Perante uma hérnia estrangulada, um médico só pode fazer uma coisa: operar imediatamente. Ora a hérnia já está estrangulada [na ordem económica mundial]: nós temos que operar, temos de mudar as regras, os instrumentos. É preciso bom senso, acção, determinação política", disse, avisando: "Se não o fizermos, as próximas gerações acusar-nos-ão, com razão, de não assistência ao planeta em perigo."