09/01/2011
Birke Baehr - 11 anos e já sabe o que está mal na alimentação
Não deixem de ouvir o que um miúdo de 11 anos, Birke Baehr, tem a dizer sobre o sistema alimentar corrente. Tem legendas em português.
Publicado no Blogue “Sustentabilidade é Acção” pela minha Amiga Manuela Araújo
07/01/2011
"Os mercados cometem crimes contra a humanidade"

Para o sociólogo, Portugal está a ser vítima de um ataque especulativo não justificado dos mercados internacionais
O primeiro mandato de Cavaco Silva foi medíocre, o presidente Obama tornou-se um provinciano, os mercados são um bando de criminosos bem vestidos e Saddam Hussein foi morto porque cometeu o erro de querer passar as reservas de petróleo de dólares para euros. O sociólogo Boaventura de Sousa Santos é a delícia de qualquer jornalista, cada frase parece dar um óptimo título. Mas é sobretudo franco, incómodo e fiel à organização do mundo que defende. A conversa aconteceu no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e as palavras foram surgindo da mesma forma que, a acreditar nos mercados, os países entram em bancarrota: por contágio.
Acaba de receber uma bolsa de 2,4 milhões de euros do European Research Council para ajudar a Europa a ver o mundo. Não seria melhor - e trata-se de uma provocação - usar essa quantia para ajudar a Europa a ver-se a si mesma?
(risos) As duas coisas não estão em conflito. A Europa andou vários séculos a tentar ensinar o mundo, com uma visão evangelizadora da religião, depois com o progresso, com a investigação científica e sempre com a ideia de que a Europa não tinha nada a aprender com o mundo, uma vez que a Europa era o centro do melhor saber e do melhor poder. Tinha toda a clarividência e do outro lado estava a barbárie. Chegámos a um ponto em que a Europa começou a ter dúvidas sobre as suas soluções. A crise que vivemos não é apenas uma crise financeira ou económica, como estamos a ver pelo comportamento das lideranças políticas. Há um desconhecimento histórico do que significa ser europeu, de qual é o valor da Europa. Ao mais pequeno sobressalto já não há Europa, há aqueles sujos, incompetentes, pouco cumpridores do Sul da Europa - como os gregos, os portugueses, irlandeses - e os outros - os alemães, os que aguentam. De repente, todo aquele verniz de uma Europa conjunta, solidária, unida, desaparece.
2010 foi o ano do fim das ilusões?
As crises, que já vinham de 2008 e 2009, e que se pensava que poderiam ser superadas em 2010, não o foram. Pelo contrário, estão em constante agravamento e, provavelmente, vão ser muito mais graves para os portugueses a partir de Março. Nesse aspecto, as ilusões terminaram.
Era possível prever o que se passou em 2010?
Em 2009, quer ao nível do défice, quer ao nível da dívida pública, Portugal estava numa situação muito melhor que a Itália, muito melhor que a Grécia, muito melhor que a Irlanda e muito melhor que a Espanha. E não tivemos em Portugal nenhuma daquelas patologias que foram graves, no caso da Grécia iludindo as contas de Bruxelas com a conivência do Goldman Sachs ou, no caso da Irlanda, dominada por meia dúzia de bancos, que - não tendo onde pôr o dinheiro - resolveram criar uma bolha imobiliária. Nós não tivemos nada disso. O que é que nós tivemos? O azar de estar na Europa. Portugal passou a ser um alvo de ataques especulativos que - no fundo - não se justificavam em termos estritamente económicos.
Mas a economia portuguesa está muito exposta ao exterior exactamente porque precisa de financiamento externo.
Portugal poderia perfeitamente pagar a sua dívida, mantendo o crescimento, que estava paralisado porque somos uma economia fraca com uma moeda forte. O nosso défice aumentou todo com o euro. Então porque caímos nessa emboscada? Podemos questionar. Esta crise existe porque não houve um aprofundamento europeu suficiente. Pensei que o euro fosse um estádio desse aprofundamento, mas todos os aprofundamentos que se tentou fazer foram bloqueados. Não conseguimos ter uma política monetária, nem políticas sociais nem fiscais mais ou menos convergentes. Temos apenas uma moeda comum, que beneficia quem pode produzir com uma moeda forte. O euro foi o grande negócio da Alemanha.
Mas Portugal não deixa de estar mais debilitado que outros países...
Portugal está em crise financeira por contágio. Porque é um elo fraco, porque é uma economia fraca, com problemas estruturais, mas não é a Portugal que os capitais financeiros querem atingir. Querem atingir Espanha e Itália. Só que não podem lá chegar sem ir por Portugal, pela Grécia e pela Irlanda. Os nossos comentadores dizem mal do Estado, das políticas sociais, mas depois dizem umas frases suaves sobre os mercados financeiros. Dizem que deviam ser mais regulados e que não deviam ganhar dinheiro com as apostas na bancarrota dos estados e que isso não é uma coisa muito ética. E ficam-se por aí. O que se passa é um crime contra a humanidade: apostar em títulos de dívida e fazer tudo para que esses títulos não sejam pagos, porque quanto mais bancarrotas tiverem mais juros vão cobrar a curto prazo. Eles ganham com a falência dos estados. Jogam com elas porque são mundiais e não há nenhum governo mundial para os regular.
O Prémio Nobel Paul Krugman diz que os mercados são um bando de miúdos de 20 e tal anos, bêbados e encharcados em cocaína...
São um bando de criminosos, que andam por aí muito bem vestidos, mas são uns mafiosos. Não há dúvida que se trata de um crime contra a humanidade, porque estão a lançar para a fome populações inteiras, para que uns poucos enriqueçam de uma maneira escandalosa. Estive em Nova Iorque e na 5.a Avenida bateram-se os recordes de venda dos produtos mais caros. Voltaram a abrir as carteiras, têm dinheiro como nunca em Wall Street, aqueles que produziram a crise.
O professor tinha dito que o neoliberalismo tinha falido, mas afinal...
Aí quase tenho de me retratar. Nunca imaginei que o neoliberalismo tivesse canibalizado tanto os estados. O neoliberalismo nacionalizou os estados, os bancos nacionalizaram os estados, não foram os estados que nacionalizaram os bancos. Passou a ideia de que um banco não pode falir. As empresas podem falir, um banco não pode falir. Faliram todos com a Grande Depressão nos EUA, mas nos últimos anos souberam como controlar os estados e começaram por fazer isso nos EUA. Quem é que nos últimos 20 anos financiou as campanhas nos EUA? Wall Street. A campanha do Obama? Wall Street. Quem é que Obama nomeia para seu consultor financeiro mais íntimo? Timothy Geithner. De onde vem Timothy Geithner? De Wall Street. Os abutres dos mercados financeiros estão a destruir a riqueza do mundo para se enriquecerem escandalosamente sem nenhum controlo e há-de haver um momento em que o povo, os governos, vão dizer basta. E os portugueses, quando começarem a sentir no bolso e na cabeça, e não só no bolso, estas medidas que vão começar a ser aplicadas.
O Presidente da República tem dito que não se deve achincalhar os mercados porque eles podem reagir contra nós...
Penso que o senhor Presidente da República está equivocado. Não há outra solução para a Europa que não seja a regulação financeira. Os mercados vão destruir o bem-estar das populações, criar um empobrecimento geral do mundo, para o enriquecimento de poucos. É necessária uma regulação forte. Não digo que seja igual àquela que se viveu nos anos 60 - quando uma empresa de Nova Iorque não poderia investir em Nova Jérsia, que fica do outro lado do rio. Mas hoje os mercados estão globalizados e os estados são nacionais, e ainda por cima não se unem. Aconselho o professor Cavaco Silva a abrir os jornais: na Grécia os juros estão a 12,5% - obviamente o país nunca vai pagar aquela dívida - apesar do dinheiro que lá se injectou.•
A fazer fé nas sondagens, Cavaco Silva irá vencer um segundo mandato. Presumo que votará Alegre.
Não é seguro que ele ganhe as eleições, pode haver uma segunda volta e, numa segunda volta, votarei Alegre certamente. Cavaco Silva vai fundamentalmente ser como Presidente a pessoa que já foi, para que as suas ideias se realizem mais depressa precipitará eleições.
Como viu o mandato do Presidente da República?
Foi um mandato medíocre, não foi um mandato de grande rasgo. Precisávamos de um Presidente que tivesse uma magistratura de influência principalmente ao nível europeu. Cavaco Silva poderia ter levado a Bruxelas a imagem se um país de boas contas. Ao contrário, aliou-se àqueles que acham que os mercados sabem tudo, juntou a sua voz aos trauliteiros da desgraça do tipo Medina Carreira. Vozes como essas deviam ser desautorizadas e o nosso Presidente não fez nenhum esforço para recuperar uma margem de manobra exterior.
O FMI vai entrar em Portugal?
Não tenho nenhuma confiança de que os que estão nesse grande mercado lucrativo dos títulos de dívida soberana não estejam com os olhos em Portugal. Para chegar a Espanha, obviamente. Como é que fazem isso? Com outra coisa escandalosa, que são as agências de notação. As empresas dizem que o mundo é dominado por dois poderes: o poder militar dos EUA, que já não é económico, e pela Moody''s. Porque são eles que distribuem a notação e os créditos, controlam a minha conta bancária, a pensão da minha mãe e a comparticipação nos medicamentos. Esses mercados estão ansiosos por mais uma ameaça de bancarrota e isso sobe imediatamente o preço da dívida. Acha normal que o preço da dívida de Espanha esteja exactamente no mesmo valor que o da dívida do Paquistão? São as agências de notação, as mesmas que em 2008 atribuíram as maiores notas aos bancos que faliram. O Lehman Brothers tinha a maior notação. O objectivo é atacar o euro.
Mas têm uma agenda própria?
Têm. São americanas e estão ligadas ao capital financeiro onde estão concentrados os credit default swaps. São um pequeno grupo.
E em 2011, com cortes salariais e o desemprego a crescer, como é que a sociedade se vai adaptar?
Com estas medidas de curto prazo, se não forem compensadas com medidas de médio prazo que tenham a ver com emprego ou crescimento, Portugal vai ficar numa situação muito difícil mesmo no que respeita ao pagamento da sua dívida. Mas as medidas de médio prazo não podem vir de Portugal isolado, têm de vir da Europa.
Isso faz-nos voltar à crise do euro.
Desde o início da crise na Grécia que se mostra que o projecto europeu ou já não existia ou faliu. A Europa não se reconheceu como um todo no momento em que o seu parceiro entra em crise. Os mercados viram ali uma fraqueza. E porque era importante essa fraqueza? Por causa do dólar. Há lutas políticas nestes mercados e eles não são nada cegos. O que está em causa é impedir fundamentalmente que o euro seja uma alternativa ao dólar - e isso estava a começar a ocorrer. Porque é que o Saddam Hussein morreu? Saddam, que foi agente dos EUA, que fez guerra contra o Irão a mando dos EUA, a quem quiseram passar tecnologia nuclear, começou a cometer um erro: começou a ver a debilidade do dólar e a querer pôr grande parte das suas reservas de petróleo em euros. A China recentemente fez um aviso aos EUA: a debilidade do dólar podia fazer com que o país começasse a diversificar as suas reservas. Era muito importante que o dólar mostrasse mundialmente que o euro não é uma maravilha, que é uma moeda frágil e que até pode desaparecer.
Vamos ter confrontos sociais na rua no próximo ano?
É muito difícil prever essa situação porque não há uma relação directa entre o agravamento das desigualdades e a confrontação social. Portugal esteve metade do século XX sem democracia. Há uma cultura autoritária, de obediência, de medo. Foram 50 anos em que os outros países todos organizavam movimento sociais, sindicatos, e em Portugal nada aconteceu. Não pensemos que isto se curou nestes últimos 40 anos porque foram anos demasiadamente fáceis. Até 1974 tínhamos colónias, ficámos sozinhos 10/12 anos e em 1986 já éramos parte da Europa. Mas estou convencido que, no momento em que estas medidas se agravarem, vamos ter uma maior organização social e sobretudo sofreremos o contágio europeu. Vai haver obviamente mais contestação na Europa. É dessa contestação que vai surgir o golpe de asa de que precisamos e vamos tê-lo por pressão popular.
Nas ruas?
Nas ruas. No princípio de 2000, o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, que faleceu recentemente, fez uma coisa que o transformou num pária. Achou que parte da dívida do país era ilegítima e disse aos credores: "Eu pago-vos, se aceitarem, por cada dólar que vos devo, 30 cêntimos. Agora os outros esqueçam!" O Fundo Monetário Internacional achou um escândalo. Disse que Kirchner era um "pária", que a "Argentina não cumpre". A verdade é que a Argentina fez isso mesmo. Os credores tiveram de aceitar. A Argentina levantou a cabeça e fez o seu desenvolvimento económico. Quando morreu Néstor Kirchner, a primeira coisa que fiz foi ir à página do FMI para ver o que dizia. E lá estava um elogio enorme do FMI pela capacidade de pôr a economia da Argentina de novo a crescer. Porque é que Kirchner se recusou a pagar a divida? Por pressão popular.
O mesmo poderá acontecer na Europa?
Nada disto é muito previsível, depende muito dos países e da sabedoria política. As medidas em Portugal estão a ser mais graduais do que foram na Grécia e as pessoas vão amolecendo. Agora há um momento, um limiar, em que as pessoas dizem: "Isto é injusto." Quando muita gente, como a minha mãe, os nossos irmãos, nos ligar e disser: "Agora tenho de pagar todo este medicamento, quando pagava só x. Onde vou ter dinheiro?" Quando isto começar a generalizar-se, é previsível que haja contestação. Não propriamente dos sindicatos. A contestação há-de ter muita espontaneidade, parte das pessoas que vão para a rua protestar. Porque a situação é intolerável.
Uma mudança de governo poderia fazer diferença?
Nas actuais circunstâncias do panorama político, não faz nenhuma. E se fizer, neste momento, será para pior. Olhamos para o programa do PSD e o que está a ser praticado e é o quê? Mais privatização? Fim do Serviço Nacional de Saúde? São mais ou menos as medidas que o Fundo Monetário Internacional vai instituir quando aqui chegar.
E vai chegar?
Incrivelmente, há aí muitos tontos, economistas trauliteiros, que tenho hoje muita dificuldade em respeitar, que até parece que desejam isso. Mas desejam-no porque têm boas reformas, bons empregos, foram ministros ou estão em grandes empresas, são aqueles que não serão nada atingidos por essas medidas. Mas a maioria dos portugueses vai ser duramente atingida, porque são medidas cegas, que passam por privatizar tudo. Vejo comentadores, analistas, sociólogos deste país a dizerem que nós ainda dependemos muito do Estado e que é preciso termos confiança na sociedade. Mas que sociedade? Na filantropia, na caridade, no Banco Alimentar? O que vai ser destes jovens? Trabalho muito com estudantes, quer aqui quer nos EUA, e os meus estudantes nos EUA são cada vez mais velhos. São doutoramentos atrás de doutoramentos para adiar o desemprego. Tenho uma grande estima pelos estudantes de hoje. Às vezes quero levantar muitos problemas, mas os estudantes estão sobretudo preocupados com saber em que é que aquilo vai ajudar à sua empregabilidade. É muito difícil dizer a um estudante que um poema pode ajudar à sua empregabilidade.
Passa grande parte do tempo nos EUA. Obama desiludiu?
Desiludiu bastante. O presidente Obama acabou por, de certa maneira, sucumbir às mesmas crises, às mesmas lógicas. Transformou-se num nacionalista um pouco provinciano, indo esmolar à Índia investimento para criar emprego no Brasil, indo pedir à Índia que os ajudasse a impor os produtos geneticamente modificados em África. E porquê? Porque as grandes empresas de sementes transgénicas são todas elas americanas. Cada presidente americano tem a sua guerra. George W. Bush teve o Iraque, Obama vai ter o Afeganistão, se é que fica por aí. Porque se a gente olhar bem para o que saiu do WikiLeaks só estamos à espera de saber se são os EUA ou Israel que vão atacar o Irão.
O WikiLeaks foi o acontecimento internacional do ano?
Foi. Agora sabemos o que foi feito no Iraque. Os dados que têm saído do WikiLeaks são aterradores, acerca da brutalidade da guerra e das atrocidades que se cometeram, da falsidade dos discursos que se fizeram. Percebemos como é despótico o poder, como é falso e hipócrita. O mundo está feito de falsidade e o WikiLeaks foi uma grande desilusão para quem acreditava que a diplomacia era uma coisa muito nobre.
Acha que houve algum efeito moralizador?
Espero que haja. Mas o WikiLeaks tem algumas debilidades. Uma que é conhecida é que Israel foi poupado. Toda a gente esperava que, havendo uma libertação de documentos, Israel fosse o país mais embaraçado. Suspeita-se hoje que havia um acordo entre o Julian Assange e o primeiro-ministro israelita. Por vontade de Julian Assange? Porque a Mossad é uma agência de serviços secretos que não olha a meios para destruir os seus inimigos? Nunca saberemos. Estamos a passar de um período em que os activistas eram todos aqueles que estavam normalmente de fora - os revolucionários, os anarquistas, os sindicalistas não tinham nada a ver com o sistema - para um período em que as transformações, as alterações têm partido de dentro do sistema. Vêm de quem tem acesso ao conhecimento.
A forma de fazer diplomacia poderá mudar daqui para a frente?
Com certeza que sim. As escolas diplomáticas de todo o mundo devem estar a analisar estes documentos e a dizer assim: realmente, se os cidadãos se derem ao trabalho de ler os jornais e, todos os dias, os jornais trazem novas informações sobre o nível da diplomacia, verificam que o que resulta dessa análise é que o nível da diplomacia é muito baixo. Dizem coisas que estão factualmente erradas.
São preguiçosos...
São preguiçosos. Perdem muito tempo nos jantares, nas recepções, naquela vida diplomática que hoje não é o ritmo da vida. A vida já corre por outras vias e eles continuam ainda como se estivéssemos no século XIX. Hoje está-se a verificar que a informação que os diplomatas enviam já é do domínio público no momento em que eles a escrevem. Isto desacredita o sistema actual de diplomacia que a gente tem ainda mais porque é um sistema caro e eu acredito que quem quiser fazer as contas de custo benefício analisando estes documentos poderá tomar algumas decisões interessantes. É muito importante saber-se se nas festas do Berlusconi as senhoras se despem todas ou se só fazem topless? Os países pagam altamente a serviços diplomáticos para andarem a coscuvilhar a vida privada do Berlusconi ou do Sarkozy?
A diplomacia é um pouco como fazer manteiga: toda a gente a come, mas ninguém gosta de ver como se faz... É exactamente isso.
por Filipa Martins, Publicado em 01 de Janeiro de 2011, no Jornal I
Bagas de Goji – O que é o Goji e quais os seus benefícios

O Goji tem sido a grande sensação dos últimos tempos, e são dados a conhecer a cada dia que passa mais estudos e estudos cada vez mais aprofundados sobre esse fruto maravilhoso.
Por isso quero dar-vos a conhecer algumas das suas propriedades e usos.
Goji é a fruta da planta Lycium barbarum, proveniente dos Himalaias, (Norte da China e Tibete). Apresenta-se em forma de baga vermelha. O seu aspecto assemelha-se em muito à nossa conhecida uva passa.
Embora seja usado há milhares de anos na China, Tibete e Índia, tanto na alimentação como constituinte de fórmulas de fitoterapia da Medicina Tradicional Chinesa, só começou a despertar o interesse da ciência ocidental, quando se começou a descobrir a sua qualidade nutritiva e o seu poder antioxidante.
Informação Nutricional
Um pequena síntese do seu valor nutritivo:
• Contém 19 aminoácidos, incluindo 8 aminoácidos essenciais.
• Contém 21 minerais vestigiais, incluindo Germânio , com actividade anti-cancerígena, que é raro como fito-nutriente.
• Contém grande teor de proteínas.
• Contém o espectro completo de carotenóides antioxidantes, incluindo Beta-caroteno (em maior concentração que a cenoura) e zeaxantina (protector dos olhos). O Goji é a maior fonte de carotenóides conhecida.
• Contém 2500 mg de vitamina C por 100 gramas da fruta.
• Contém Beta-Sisterol, fito-nutriente com função anti-inflamatória, que ajuda também a equilibrar os níveis de colesterol e pode ser usado no tratamento de impotência sexual e equilíbrio da próstata.
• Contém ácidos gordos (ómega 3 e 6), que são necessários para síntese de hormonas e regula o funcionamento do cérebro e sistema nervoso.
• Contém Cyperone, um fito-nutriente que traz benefícios ao coração e à pressão sanguínea.
• Contém Physalin, fito-nutriente usado nos transtornos da hepatite B.
• Contém Betaína, fito-nutriente usado pelo fígado para produzir colina. A betaína doa grupos metil, promovendo reacções energéticas no corpo, ajuda a reduzir o nível de homocisteína, um factor de risco em problemas cardíacos, protege a célula ao nível de DNA.
Benefícios das Bagas Goji:
• Protege o corpo do envelhecimento e aumenta a longevidade
• Promove a energia e bem-estar em geral
• Protege contra doenças cardio-vasculares e inflamatórias
• Fortifica e mantém um sistema imunitário saudável
• Alguns estudos apontam como tendo propriedades anti-cancerígenas
• Combate a artrite
• Baixa o colesterol
• Equilibra os níveis de pressão do sangue
• Ajuda no processo digestivo e na perda de peso
• Melhora os níveis de insulina nos diabéticos
• Melhora as cataratas, a visão turva e a audição
• Fortalece e suporta a função saudável do fígado e dos rins
• Fortalece os ossos e os tendões
• Mantém um sistema nervoso saudável
• Protege a pele dos danos causados pelo sol
• Aumenta a libido e o desempenho sexual
• Promove a fertilidade
NOTA: Encontra-se à venda nas grandes superfícies em embalagens de 125 gramas
Com este tratamento poderá não chegar aos 150 anos, mas viverá mais tempo com saúde.
DOIS FILMES A VER PARA SE ENTENDER MUITA COISA.
Dois filmes, ou melhor, as duas partes de uma entrevista, que elucidam de forma muito objectiva e simples como é que funciona a geopolítica mundial actual, nomeadamente a política neoliberal das grandes corporações multinacionais sobretudo, neste caso, através dos sucessivos governos norte-americanos...
A verdade é um valor que devemos defender a todo o custo, ajudem a divulgar!
Clique nos link's abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=PQNKhlrxnsw
http://www.youtube.com/watch?v=W0MZczFdsWM&feature=related
A verdade é um valor que devemos defender a todo o custo, ajudem a divulgar!
Clique nos link's abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=PQNKhlrxnsw
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06/01/2011
Depressão? Foge a isso...

Às vezes, podes sentir-te deprimido com a tua vida. As coisas podem correr mal e não serem como o esperado. Embora possa haver outras causas para este tipo de situação, penso que um dos principais motivos disso acontecer são expectativas não realistas.
Podem surgir de ti mesmo ou de outras pessoas, e as expectativas não realistas fazem com que o teu subconsciente suba e desça, como numa montanha russa. Quando tens sucesso, ficas muito feliz e entusiasmado. Mas quando não o tens, podes sentir-te muito desanimado. Precisas de evitar este estado de alma. Aqui te deixo algumas dicas sobre como fazê-lo de modo a que possas reduzir o stress e seres mais feliz na tua vida:
1. Deves concentrar-te nas acções e não nos resultados
Se te concentrares só em resultados é uma maneira de experimentares altos e baixos emocionais. Pior ainda, não há muito que possas fazer, já que não os podes controlar. Por isso centra-te em algo que possas controlar e isso são certamente as tuas acções.
2. Diverte-te! Não leves as coisas muito a sério
Às vezes levas as coisas muito a sério a ponto de ficares obcecado. Não faças isso, antes faz tudo o que achares divertido. Divertindo-te, vais certamente ter menos stress, e o teu dia-a-dia vai ser mais agradável. Uma maneira de fazer isto é procurares prazeres escondidos em tudo o que fizeres.
3. Não te compares com as outras pessoas
Deves olhar para o que os outros fazem, apenas para receberes comentários de como podes fazer as coisas melhor. Além disso, comparares-te com os outros, vai provocar duas coisas:
1. Sentires-te diminuído, se fores pior do que eles.
2. Impulsionar o teu ego, se fores melhor do que eles. Mas isto só fará com que o próximo fracasso seja mais doloroso.
Assim, aprende alguma coisa com os outros, define as metas, e refina as tuas acções.
4. Concentra-te em ser como és, em vez de tentares que todos te apreciem
Uma razão pela qual te podes sentir em baixo é estares muito preocupado sobre o que os outros dizem sobre ti. Podes perder demasiado tempo tentando satisfazer as expectativas de toda a gente. Cultiva as tuas paixões e faz aquilo que realmente é importante para ti.
5. Torna-te amigo do insucesso
O insucesso é normal na vida de uma pessoa bem sucedida. Quanto mais falhas, é bem provável que venhas a ser mais bem sucedido. Faz do teu fracasso um “amigo”.
6. Olha de vez em quando para trás, e não sempre em frente
Veres como estás distante dos teus objectivos pode deixar-te em baixo, em especial, se estás sempre a pensar neles. Portanto, é necessário que também olhes para trás e vejas quanto já progrediste. Que realizações alcançaste. Quais as tuas histórias de sucesso. Relembrar tudo isto vai fazer com que te sintas bem com a tua posição actual na vida.
7. Cultiva o teu entusiasmo
O entusiasmo deixa-te animado com a vida e dá-te energia para fazeres sempre o teu melhor. Na verdade, a capacidade de manter o entusiasmo apesar das falhas e dificuldades é um traço essencial das pessoas de sucesso.
O sucesso é a capacidade de passar de uma falha para outra sem perca de entusiasmo.
Enviado por E-mail pelo Amigo António Barrinhas
Cortejo Histórico
O Cortejo Histórico de Lisboa (1947) from Gonçalo Ramos Ferreira on Vimeo.
Na tribuna, além de Carmona (PR) e Salazar (PM) estava EVA PERON. Quem fez todo o policiamento e acompanhou este cortejo foi o meu Pai Capitão Francisco Soares da Cunha, então Comandante da Polícia Municipal de Lisboa.
04/01/2011
VÓMITO!

O subsídio de César não foi para os funcionários pobres das ilhas.
Foi para aqueles que mais ganham. Carlos César, presidente do Governo Regional dos Açores, tornou-se o ilustrativo exemplo de como a política, quando já se julga que não pode descer mais baixo, ainda tem mais um degrau para descer no mundo da amoralidade. Os subsídios aos funcionários atingidos pelos cortes nos vencimentos, que segundo ele não ultrapassam três milhões de euros, nem chegam a ser uma medida populista.
Atingem um núcleo restrito de técnicos superiores, chefes de divisão, directores e subdirectores, nos quais se incluem naturalmente o contingente dos seus mais leais serviçais políticos. Os 'boys' de César. Não tem a ver com ultra-periferia nem com a atracção de novos quadros, como alguém argumentou, pois não vai surgir desta decisão cesarista um movimento migratório de quadros técnicos para os Açores. Tem apenas a ver com ambição e perfil de quem nos governa. Tido como um dos eventuais substitutos de Sócrates, o que daqui resulta é que quer atingir Sócrates. Não pela criação de uma política nobre, mas à cotovelada.
O subsídio de César não foi para os funcionários pobres das ilhas. Foi para aqueles que mais ganham, e ao mesmo tempo um valente pontapé no Governo central do seu Partido. Em nome dos Açores? Não. Em nome da Autonomia? Não. Em nome dos interesses estratégicos de César. Um general que não alimenta as tropas corre o risco de deserções.
A sua decisão não foi apenas uma afronta ao Governo da República. É um escárnio sobre os funcionários que nas mesmas condições, em zonas mais pobres do que os Açores, estão comprometidos com o apertar do cinto orçamental. É o desprezo absoluto pela política nacional por troca com os prémios de jogo que decidiu pagar às suas clientelas regionais. Diz que este ano a massa resulta de umas obra num campo de futebol que não se farão. E para o ano? E para o ano seguinte? É claro que acabarão por pagar aqueles que viram no resto do país os seus salários cortados.
Não admira pois que esta mediocridade moral nem consiga receber o apoio do seu Partido. É levar demasiado longe o caciquismo. Aos limites do vómito. Porém, regozija-se o Bloco de Esquerda, o símbolo maior do refilanço pré-juvenil com e sem causas. E... Manuel Alegre! É doloroso ver um candidato a Presidente da República preso a esta imundície moral por necessidade de votos. Dirão alguns que é coisa menor comparando com os muitos milhões do BPN e de outros imbróglios afins. Seria verdade se o dinheiro fosse a medida de todas as coisas. Mas não é. A maior das medidas é o sentido de Pátria, assumida com elevada responsabilidade e rigor. E isto César não sabe o que é.
por Francisco Moita Flores.
Quando Deus criou o Guarda da GNR!

Ao sexto dia estava Deus todo atarefado, a fazer horas extraordinárias, quando aparece um Anjo e diz: Está a levar muito tempo nessa criação Senhor! O que tem de tão especial esse homem?
Deus respondeu: Já viste o que me pedem neste modelo? Um Guarda tem que correr 10 km por ruas escuras, subir paredes, pular muros, entrar em matagais, invadir casas que nem um delegado de saúde pública ousa penetrar. Tem que estar sempre em boa forma física, quando nem sequer lhe dão tempo para comer. Tem que investigar um homicídio, procurar provas nessa mesma noite, fazer o expediente e no dia seguinte ir ao tribunal prestar depoimento. Também tem que possuir quatro braços, para poder conduzir, disparar e ainda chamar reforços pelo rádio.
O Anjo olha para Deus e diz: quatro braços? Impossível!
Deus responde: não são os quatro braços que são o problema, mas sim três pares de olhos que necessita.
Também pedem isso nesse modelo? – Pergunta o Anjo.
Sim, necessita de um par com raio-X, para saber que são os criminosos de entre a multidão e o que escondem nos seus corpos; necessita de outro par para zelar pela segurança do seu companheiro e outro ainda para conseguir zelar pelas vítimas que estejam feridas. Ter o discernimento necessário para julgar tudo numa fracção de segundo, e dizer que tudo vai corre bem, quando sabe que isso nem sempre corresponde à verdade.
Nesse momento, o Anjo diz: Descanse e poderá trabalhar amanhã.
Não posso, responde Deus! Além disso ele tem ainda que ser capaz de acalmar ou dominar um drogado de 130 quilos sem nenhum incidente. Estar sempre pronto para morrer em serviço de arma em punho com o sentimento de honra correndo nas veias e ao mesmo tempo manter uma família com o seu pequeno salário.
Espantado o Anjo pergunta a Deus: Mas Senhor! Não é muita coisa para colocar em um só modelo?
Deus rapidamente responde: É, e para acrescentar tudo isso vou ter de tirar algumas coisas. Vou tirar: o orgulho pois, infelizmente, para ser reconhecido e homenageado ele terá que estar morto. Ele também não irá precisar de compaixão, pois, verá todos os dias da sua vida o que ninguém vê, a dor das vítimas despedaçadas, jovens ou velhas, vidas destruídas e ao sair do velório de seu companheiro, ele terá que voltar ao serviço e cumprir sua missão normalmente.
Então ele será uma pessoa fria e cruel? - Pergunta o Anjo.
Claro que não – responde Deus. Ao chegar a casa, deverá esquecer que ficou frente à morte e dar um abraço carinhoso aos seus filhos dizendo que está tudo bem. Terá que esquecer os tiros disparados ao dar um beijo apaixonado a sua esposa. Terá que esquecer as ameaças sofridas e fazer contas à vida com o seu magro salário. E terá que ter muita, mas muita coragem para no dia seguinte, acordar e retornar ao trabalho, sem saber se irá voltar para casa novamente.
O Anjo olha para o modelo e pergunta, confuso: E com tudo isso, ele poderá ainda pensar?
Claro que sim! – Responde Deus.Poderá investigar, procurar e prender criminosos em menos tempo que cinco juízes levam discutindo a legalidade dessa prisão… Poderá suportar as cenas de crimes às portas do inferno, consolar a família de uma vítima de homicídio e interrogar e vasculhar as almas dos criminosos alheando-se dos sentimentos, e no outro dia ler nos jornais notícias de como os Guardas são insensíveis aos "Direitos dos Criminosos".
Por fim, o Anjo olha para o modelo, passa-lhe os dedos pelas pálpebras e diz: Meu Deus, ele está deitando água. Eu acho que está a pôr muita coisa nesse modelo!
Não é água, são lágrimas… Responde Deus.
E porquê lágrimas? – Perguntou o Anjo.
Deus respondeu: Por todas as emoções que carrega dentro de si… Por uma mãe morta... Por uma criança estropiada... Por um companheiro caído… E por um sentimento chamado justiça!
És um génio! – Responde-lhe o Anjo.
Deus olha para o Anjo e em tom sério diz: Não fui eu quem lhe pôs as lágrimas… Ele chora porque é simplesmente um homem!
Dedicado a todos os militares anónimos, que deixam suas casas, famílias, amigos e sonhos, encarando a morte para combater a criminalidade, garantindo assim a ordem pública e zelando pela nossa segurança, mesmo que isso custe suas próprias vidas!
01/01/2011
Apelo aos portugueses para mudar Portugal

Este vai ser, provavelmente, o pior ano da sua vida. Mas é possível mudar o país. Eis uma lista de pequenas coisas que farão toda a diferença
O ano que terminou ontem atingiu os portugueses como um tsunami. De repente, o país foi forçado a olhar-se no espelho e a reconhecer a criatura decrépita, velha e desdentada em que se transformou. A crise chegou com estrondo e não teve sequer a delicadeza de bater à porta. A fatalidade não foi, porém, totalmente negativa. Sem reconhecer a natureza dos problemas é impossível encontrar soluções adequadas. O facto positivo de 2010 consiste no reconhecimento de que existe uma condição para sobreviver: mudar.
Dito isto, 2011 vai ser, provavelmente, o pior ano da sua vida. A factura de décadas de desmazelo é pesada e começa a sair do seu bolso hoje mesmo.
O fantasma do FMI paira sobre as cabeças dos portugueses enquanto o primeiro-ministro tenta no Brasil que nos comprem dívida para continuarmos a respirar. Entretanto, existem quatro Programas de Estabilidade e Crescimento e um Orçamento do Estado para nos recordar o tamanho da dívida que, necessariamente, teremos de pagar. Os impostos vão estrangular-nos a todos: cidadãos, famílias, empresas. A economia vai entrar em recessão e o desemprego perseguirá 600 mil pessoas.
Isto é notável sobretudo porque Portugal está em contra-ciclo. A economia global cresceu 5% em 2010. E vai continuar a crescer em 2011.
Muito do que se passar em Portugal vai depender de três factores: da capacidade do governo de gerir um orçamento restritivo e atacar a despesa a sério; da possibilidade de afastar, através de uma solução política eficaz, a crise sistémica do euro; e ainda do desempenho das economias emergentes.
As previsões de crescimento económico para Portugal são absolutamente decepcionantes (zoom pp. 20-21). O país precisava de crescer 2% para reduzir o desemprego. Não vai acontecer. Da próxima vez que lhe oferecerem dinheiro barato, desconfie. Aprenda com os erros e siga em frente. Force a mudança.
Dentro de muito pouco tempo teremos de assumir opções políticas difíceis. Este sistema partidário monopolizado não permite grandes escolhas, mas está nas mãos dos portugueses exigir que a mudança comece por aqui. É decisivo substituir a geração que fez o 25 de Abril e beneficiou largamente dele. Cabe às novas gerações assumir a responsabilidade e tomar as rédeas do futuro nas mãos. Com estes ou outros partidos políticos.
Mudar significa renovar. Há imensa gente capaz e qualificada a abandonar o país. Sugiro que não o façam e lutem por Portugal. Este Estado fundado em 1143 não vai acabar em 2011. Exija responsabilidade a quem o governa. Faça petições para mudar as leis. Inunde as caixas de correio electrónico daqueles que o representam e obrigue-os a agir e a justificar o que fazem e o dinheiro que ganham. Force-os a pedir auditorias ao Tribunal de Contas. Informe-se antes de votar. Denuncie os corruptos sem medo. Não seja complacente com a incompetência das hierarquias ou dos subordinados. Exija rigor a si próprio. Esqueça a obediência canina em nome do emprego fácil. A desobediência civil é legítima perante poderes que levam um povo à ruína. Não desista dos seus projectos por causa da burocracia que tudo entrava. Não admita que o Estado lhe cobre impostos retroactivamente.
Mudar Portugal exige força. Depende da nossa capacidade de resistência aos poderes ineptos e da nossa capacidade de renovação dos poderes decrépitos. A tarefa será hercúlea e vai demorar anos. Mas Portugal vale a pena. Lute por ele já este ano.
Por Carlos Ferreira Madeira, Publicado em 01 de Janeiro de 2011, no Editorial do Jornal I
O Diário do Professor Arnaldo - A fome nas escolas

Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.
Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.
De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila - oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude.
Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche. O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas...
Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta. Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».
Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?
É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos.
Publicado em 19 de Novembro de 2010 por Arnaldo Antunes
NOTA:
Por favor divulguem, até por homenagem a este Professor. E todos somos poucos para corrermos com a cambada que levou o país à situação calamitosa em que se encontra. Ainda há dias defendi, na AM e no semanário em que colaboro, que certos comportamentos de responsáveis políticos ou de empresas públicas - sejam quem forem e de que área política sejam - deviam ser passíveis de procedimento criminal. Chegou a hora de dizer "basta"!
Que me desculpem os que assim não pensem.
Campos de Barros
Mais tarde ou mais cedo o povo vai acordar e levantar-se. O povo não é sereno. Cala, consente e explode em todas as direcções e algum de nós vai estar no meio da borrasca.
(JVB)
NÃO FIQUES CALADO, SENTE-TE ANTES INDIGNADO, E FALA, SE CALHAR AO TEU LADO EXISTE ALGO IDÊNTICO, ABRE OS OLHOS E FALA...
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