"Vós que lá do vosso império, prometeis um mundo novo...CUIDADO, que pode o povo, querer um mundo novo a SÉRIO!" In: António Aleixo

23/02/2011

O CERNE DO ACTUAL BLOQUEIO POLITICO/FINANCEIRO


Uma proposta de Lei do CDS, apresentada na AR, apoiada pelo PCP e BE, foi rejeitada pelo PS com o apoio expresso do PSD, no dia 18 do corrente. Em que consistia esta proposta? Numa coisa simples, justa e prioritária, que se consubstanciava na existência de limites e cortes nos vencimentos escandalosos (e acrescentaria “mordomias”), dos gestores das empresas públicas do Estado.
Simples, pois é de uma evidencia cristalina; justa, pois é uma indecência pornográfica haver tais ordenados e regalias, tendo em conta os vencimentos médios da população, a condição do país e as manchas de pobreza existentes; e prioritárias, pois não se devem (porque poder já se viu que podem!), pedir sacrifícios a toda a Nação e os principais responsáveis em exercício – e também culpados maiores do descalabro criminoso em que colocaram o país – não dão uma ponta de exemplo!
Isto não é demagogia é, na mais elementar hierarquia das virtudes e da liderança, apenas bom senso. A esta gentalha não lhes falta, porém, senso. Apenas escrúpulos e vergonha.
Se, aliás, tivessem uma réstia de pensamento no serviço público nem sequer lhes seria difícil manter a equidade: bastava manter em vigor a Lei 2105 de 6 de Junho de 1960, em que se proibia que a remuneração de um qualquer gestor do Estado pudesse ser superior à de um ministro. Simples e eficaz!
Mas parece evidente que uma lei nitidamente “fascista”não podia ser aceite pelos paladinos da “Democracia”…
Os leitores farão o favor de reparar – e já é tempo de deixarem o conforto do sofá pela luta na defesa da decência na sociedade e menos na contemplação do seu umbigo – que desde que a crise se instalou, mesmo a contragosto do discurso político, todas as medidas de austeridade e contenção se situaram no âmbito da população, mas nunca onde poderia doer à classe política. Ou seja, no orçamento da Presidência da República; Assembleia da mesma; Governo e gabinetes dos ministérios; na administração das empresas públicas; nos bancos, nas autarquias; nos governos e parlamentos regionais; nas fundações; nas parcerias público – privadas; nos institutos públicos; nas empresas camarárias; nos tribunais supremos, etc. De facto em qualquer âmbito que possa afectar, nem que seja ao mais de leve possível, qualquer membro de um cargo político, ou a função para onde normalmente migram depois de se sacrificarem pela Pátria…
Mesmo o 10% de corte aplicável na função pública foi largamente compensado pelos aumentos, entretanto efectuados, nos subsídios de representação, ajudas de custo e similares. E são públicas as tentativas obscenas de contornar a lei por parte de algumas administrações de empresas públicas e do Governo Regional dos Açores, por ex.
Porque é isto assim? Simples e medianamente claro: porque a fazerem-se cortes equitativos no conjunto da população, isso iria, de facto, afectar os detentores, ex-detentores, e futuros aspirantes a detentores de cargos político – partidários. Ou seja, as clientelas dos Partidos.
Quer dizer, que umas 50000 famílias (grosso modo), cerca de 200000 pessoas, arrogam-se o direito de sugar e dispor de cerca de 90% da riqueza criada no País e dispensar os trocos restantes ao remanescente da população.
Eis a razão pela qual o PS – que é poder agora – votou contra a proposta e o PSD – que aspira a ser poder – também o fez. E sabe-se que a maioria dos que já passaram pelas cadeiras do poder também pertenceram a estas duas filantrópicas agremiações.
O BE e o PCP não têm, por seu lado, qualquer problema em votar a favor, pois sabem que não vão ser poder
(isto é, não vão ocupar as tais cadeiras), ao passo que usufruem de umas migalhas gordas enquanto estiverem com um pé no sistema. O CDS de onde parte a proposta é o caso mais curioso: está na charneira do poder: é do sistema e pode ser “bengala” do poder. Neste âmbito usufrui de todos os lados e colhe votos no eleitorado. A proposta beneficia-o e, por isso, faz sentido a sua iniciativa. Resta saber se é sentida e não apenas (mais) um rasgo demagógico.
Esta é pois uma das principais razões pela qual o actual sistema político está num impasse e bloqueado. E não tem saída própria, vai apodrecer com o tempo e as misérias humanas.
Infelizmente isto não é de agora. Tem as suas origens em 1820 e só foi interrompido durante um “buraco negro” da nossa História recente, de que não se pode falar com direito ao contraditório.
Façam o favor de estudar, reflectir e cruzar informação, que acabam por perceber.

João J. Brandão Ferreira, 20/02/11

6 comentários:

São disse...

Mas alguém se surpreendeu com esta concordância emntre PS e PSD?! Só se andavam muito no mundo da lua, francamente!

Um abraço

Valquiria Calado disse...

Olá, vim deixar um carinho.
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ESTAREI SEMPRE AQUI MARCANDO PRESENÇA,FAÇA O MESMO E ME DE UM OIZINHO.

Jortas disse...

Este é o país que somos.
Um país adiado!
A quem interessa que assim continue?
A mim não porque já vomito politiquice!
Não há políticos em Portugal, apenas interessados na Res publica e na mamadeira!
Portugal no actual contexto político, é apenas uma ideia dos poucos que ainda se erguem quando o hino toca ou a bandeira é hasteada ou ariada.

Basta constatar que muitas vezes nem se levantam quando toca o hino!

Luís Coelho disse...

Com isto o PPCoelho começou em queda livre. Nem pense que estas ordinarices lhe vão dar votos

A. João Soares disse...

Caro Luís

O problema da redução das despesas públicas, está estudado e equacionado, mas falta vontade política dos poderosos, porque não querem estragar as creches onde metem os «boys» que precisam de bengala para não sucumbirem na sua incapacidade, nem os lares de idosos para os ex-políticos activos. Julgo de interesse a visita aos seguintes posts, muito elucidativos.

- Onde se cortam as despesas públicas???

- Dezenas de institutos públicos a extinguir

- Fundação Cidade de Guimarães

- BE questiona ministra sobre 27 cargos directivos para parque do Côa

Uma medida interessante para mostrar o escândalo dos salário pornográficos será exprimi-los na sua equivalência a x salários mínimos. Isso será mais impressionante do que os milhões de euros.

As pessoas ficariam mais agastadas ao saber que um trabalhador, com família, teria de trabalhar xis dezenas de anos a receber o salário mínimo, para receber tanto como um VIP recebe num único mês.

Abraço
João
Sempre Jovens

Luis disse...

Meus Bons Amigos,
O País que temos devemos a nós próprios pois não fazemos nada para acabar com todas estas situações. Estou à espera de Vos ver no próximo dia 12 pf. Talvez seja esta a maneira de corrigir o que temos vivido últimamente!
Até breve com um abraço solidário.