"Vós que lá do vosso império, prometeis um mundo novo...CUIDADO, que pode o povo, querer um mundo novo a SÉRIO!" In: António Aleixo

01/01/2011

Apelo aos portugueses para mudar Portugal


Este vai ser, provavelmente, o pior ano da sua vida. Mas é possível mudar o país. Eis uma lista de pequenas coisas que farão toda a diferença

O ano que terminou ontem atingiu os portugueses como um tsunami. De repente, o país foi forçado a olhar-se no espelho e a reconhecer a criatura decrépita, velha e desdentada em que se transformou. A crise chegou com estrondo e não teve sequer a delicadeza de bater à porta. A fatalidade não foi, porém, totalmente negativa. Sem reconhecer a natureza dos problemas é impossível encontrar soluções adequadas. O facto positivo de 2010 consiste no reconhecimento de que existe uma condição para sobreviver: mudar.

Dito isto, 2011 vai ser, provavelmente, o pior ano da sua vida. A factura de décadas de desmazelo é pesada e começa a sair do seu bolso hoje mesmo.

O fantasma do FMI paira sobre as cabeças dos portugueses enquanto o primeiro-ministro tenta no Brasil que nos comprem dívida para continuarmos a respirar. Entretanto, existem quatro Programas de Estabilidade e Crescimento e um Orçamento do Estado para nos recordar o tamanho da dívida que, necessariamente, teremos de pagar. Os impostos vão estrangular-nos a todos: cidadãos, famílias, empresas. A economia vai entrar em recessão e o desemprego perseguirá 600 mil pessoas.

Isto é notável sobretudo porque Portugal está em contra-ciclo. A economia global cresceu 5% em 2010. E vai continuar a crescer em 2011.

Muito do que se passar em Portugal vai depender de três factores: da capacidade do governo de gerir um orçamento restritivo e atacar a despesa a sério; da possibilidade de afastar, através de uma solução política eficaz, a crise sistémica do euro; e ainda do desempenho das economias emergentes.

As previsões de crescimento económico para Portugal são absolutamente decepcionantes (zoom pp. 20-21). O país precisava de crescer 2% para reduzir o desemprego. Não vai acontecer. Da próxima vez que lhe oferecerem dinheiro barato, desconfie. Aprenda com os erros e siga em frente. Force a mudança.

Dentro de muito pouco tempo teremos de assumir opções políticas difíceis. Este sistema partidário monopolizado não permite grandes escolhas, mas está nas mãos dos portugueses exigir que a mudança comece por aqui. É decisivo substituir a geração que fez o 25 de Abril e beneficiou largamente dele. Cabe às novas gerações assumir a responsabilidade e tomar as rédeas do futuro nas mãos. Com estes ou outros partidos políticos.

Mudar significa renovar. Há imensa gente capaz e qualificada a abandonar o país. Sugiro que não o façam e lutem por Portugal. Este Estado fundado em 1143 não vai acabar em 2011. Exija responsabilidade a quem o governa. Faça petições para mudar as leis. Inunde as caixas de correio electrónico daqueles que o representam e obrigue-os a agir e a justificar o que fazem e o dinheiro que ganham. Force-os a pedir auditorias ao Tribunal de Contas. Informe-se antes de votar. Denuncie os corruptos sem medo. Não seja complacente com a incompetência das hierarquias ou dos subordinados. Exija rigor a si próprio. Esqueça a obediência canina em nome do emprego fácil. A desobediência civil é legítima perante poderes que levam um povo à ruína. Não desista dos seus projectos por causa da burocracia que tudo entrava. Não admita que o Estado lhe cobre impostos retroactivamente.

Mudar Portugal exige força. Depende da nossa capacidade de resistência aos poderes ineptos e da nossa capacidade de renovação dos poderes decrépitos. A tarefa será hercúlea e vai demorar anos. Mas Portugal vale a pena. Lute por ele já este ano.

Por Carlos Ferreira Madeira, Publicado em 01 de Janeiro de 2011, no Editorial do Jornal I

5 comentários:

A. João Soares disse...

Caro Luís

A respeito do sofrimento que nos vai ser imposto este ano e da indiferença do povo, transcrevo uma troca de mensagens por e-mail:

Começa hoje o novo Ano, e começa mal com aumentos e mais aumentos, presentes do desgoverno que somos
obrigados a suportar, " democraticamente, claro está... Ah, santa ignorância...


O Povo está anestesiado e teima em não reagir. Temos que raciocinar que, se estamos em crise, ela deve ser suportada por todos, principalmente pelos que mais têm beneficiado da exploração dos clientes, dos contribuintes, dos utilizadores, dos beneficiários, dos pensionistas. Mas não.
Os accionistas das empresas prestadoras de serviços e de comercialização de produtos de consumo não querem prescindir dos lucros habituais, exorbitantes, os administradores não querem perder os salários de nababos e os prémios e as ajudas e de custo e outras mordomias.
O resultado é o povinho continuar a ser duplamente explorado em tudo e por todos os tubarões do costume.
E o Governo o que faz? Não faz nada para não perder os apoios de quem lhes puxa os cordelinhos, de quem lhes dá, em breve, os tachos que são autênticos asilos dourados para os políticos da terceira idade. Eles asilam-se em bancos, em construtoras, em supranacionais, depois de passarem por cima dos interesses nacionais, dos portugueses.
É preciso denunciar estes escândalos, a fim de o povo abrir os olhos e decidir reagir.


Meu Caro,
Este ano vai ser um ano difícil, porque cada português se verá confrontado com a necessidade de tomar uma posição, que deverá ser em seu benefício e dos outros compatriotas explorados por gente sem escrúpulos.
Se a «explosão social» for espontânea como os sociólogos pensam, poderá ser descontrolada e não ter travão que a impeça de excessos de violência em que serão afectados mais os inocentes do que os verdadeiros culpados da crise. Poderemos vir a ter momentos difíceis.
Seria melhor vir o FMI que colocaria nos governantes um freio e evitaria que tivesse de ser o povo a fazê-lo de forma mais desajeitada.

Um abraço
João
Só imagens


http://domirante.blogspot.com/2011/01/assim-construiram-crise.html

Luís Coelho disse...

Os sacrifícios sã imposições por erros e desmandos que se continuam a cometer neste país.
No final veremos que não saímos da cepa torta e virão com mais medidas de contenção e de sacrifícios.
É impossível alguém endireitar situações de injustiça que teimam em manter como são as grandes reformas para alguns e prémios para outros.
Isto é mentir com os dentes todos.

Manuela Araújo disse...

Caro Luís

Que o novo ano feche as portas a más notícias e abra as janelas da oportunidade, da serenidade, do optimismo, da solidariedade.
Quanto a conselhos :) deixo este vídeo, que achei muito giro.
Muita saúde, alegria e amizade para 2011.

Luis disse...

Caríssimos Amigos João e Luís Coelho,
Os vossos comentários assentam que nem numa luva no tema do post.
Mas devemos ter sempre uma réstea de Esperança e este Apelo vai nesse sentido.
Um abração amigo e solidário.

Luis disse...

Minha Querida Amiga Manuela Araújo,
Devemos ter sempre uma réstea de Esperança e este Apelo vai nesse sentido. Abri o seu video e verifiquei que vai na linha deste mesmo Apelo. Bem haja por haver "filtros" que possam melhorar a nossa Vida.
Beijinhos amigos e votos de um 2011melhor para todos e particularmente para Si.