"Vós que lá do vosso império, prometeis um mundo novo...CUIDADO, que pode o povo, querer um mundo novo a SÉRIO!" In: António Aleixo

04/01/2011

Quando Deus criou o Guarda da GNR!


Ao sexto dia estava Deus todo atarefado, a fazer horas extraordinárias, quando aparece um Anjo e diz: Está a levar muito tempo nessa criação Senhor! O que tem de tão especial esse homem?
Deus respondeu: Já viste o que me pedem neste modelo? Um Guarda tem que correr 10 km por ruas escuras, subir paredes, pular muros, entrar em matagais, invadir casas que nem um delegado de saúde pública ousa penetrar. Tem que estar sempre em boa forma física, quando nem sequer lhe dão tempo para comer. Tem que investigar um homicídio, procurar provas nessa mesma noite, fazer o expediente e no dia seguinte ir ao tribunal prestar depoimento. Também tem que possuir quatro braços, para poder conduzir, disparar e ainda chamar reforços pelo rádio.
O Anjo olha para Deus e diz: quatro braços? Impossível!
Deus responde: não são os quatro braços que são o problema, mas sim três pares de olhos que necessita.
Também pedem isso nesse modelo? – Pergunta o Anjo.
Sim, necessita de um par com raio-X, para saber que são os criminosos de entre a multidão e o que escondem nos seus corpos; necessita de outro par para zelar pela segurança do seu companheiro e outro ainda para conseguir zelar pelas vítimas que estejam feridas. Ter o discernimento necessário para julgar tudo numa fracção de segundo, e dizer que tudo vai corre bem, quando sabe que isso nem sempre corresponde à verdade.
Nesse momento, o Anjo diz: Descanse e poderá trabalhar amanhã.
Não posso, responde Deus! Além disso ele tem ainda que ser capaz de acalmar ou dominar um drogado de 130 quilos sem nenhum incidente. Estar sempre pronto para morrer em serviço de arma em punho com o sentimento de honra correndo nas veias e ao mesmo tempo manter uma família com o seu pequeno salário.
Espantado o Anjo pergunta a Deus: Mas Senhor! Não é muita coisa para colocar em um só modelo?
Deus rapidamente responde: É, e para acrescentar tudo isso vou ter de tirar algumas coisas. Vou tirar: o orgulho pois, infelizmente, para ser reconhecido e homenageado ele terá que estar morto. Ele também não irá precisar de compaixão, pois, verá todos os dias da sua vida o que ninguém vê, a dor das vítimas despedaçadas, jovens ou velhas, vidas destruídas e ao sair do velório de seu companheiro, ele terá que voltar ao serviço e cumprir sua missão normalmente.
Então ele será uma pessoa fria e cruel? - Pergunta o Anjo.
Claro que não – responde Deus. Ao chegar a casa, deverá esquecer que ficou frente à morte e dar um abraço carinhoso aos seus filhos dizendo que está tudo bem. Terá que esquecer os tiros disparados ao dar um beijo apaixonado a sua esposa. Terá que esquecer as ameaças sofridas e fazer contas à vida com o seu magro salário. E terá que ter muita, mas muita coragem para no dia seguinte, acordar e retornar ao trabalho, sem saber se irá voltar para casa novamente.
O Anjo olha para o modelo e pergunta, confuso: E com tudo isso, ele poderá ainda pensar?
Claro que sim! – Responde Deus.Poderá investigar, procurar e prender criminosos em menos tempo que cinco juízes levam discutindo a legalidade dessa prisão… Poderá suportar as cenas de crimes às portas do inferno, consolar a família de uma vítima de homicídio e interrogar e vasculhar as almas dos criminosos alheando-se dos sentimentos, e no outro dia ler nos jornais notícias de como os Guardas são insensíveis aos "Direitos dos Criminosos".
Por fim, o Anjo olha para o modelo, passa-lhe os dedos pelas pálpebras e diz: Meu Deus, ele está deitando água. Eu acho que está a pôr muita coisa nesse modelo!
Não é água, são lágrimas… Responde Deus.
E porquê lágrimas? – Perguntou o Anjo.
Deus respondeu: Por todas as emoções que carrega dentro de si… Por uma mãe morta... Por uma criança estropiada... Por um companheiro caído… E por um sentimento chamado justiça!
És um génio! – Responde-lhe o Anjo.
Deus olha para o Anjo e em tom sério diz: Não fui eu quem lhe pôs as lágrimas… Ele chora porque é simplesmente um homem!

Dedicado a todos os militares anónimos, que deixam suas casas, famílias, amigos e sonhos, encarando a morte para combater a criminalidade, garantindo assim a ordem pública e zelando pela nossa segurança, mesmo que isso custe suas próprias vidas!

3 comentários:

Luís Coelho disse...

Li todo o texto e quero dar os parabéns ao seu autor pela obra de arte que todos conhecemos mas que poucos reconhecemos.
É revoltante este sistema e esta conduta arrogante das chefias.

Os polícias comem e calam porque os processos disciplinares são pesados.

Os Chefes sentem-se felizes por oprimir cada dia mais e mais. Esquecem-se que às suas ordens tem seres humanos, com defeitos e muitas carências.

A. João Soares disse...

Amigo Luís,

E a sociedade, precisa destes homens excepcionais, nas Forças Armadas, na GNR, na PSP, nos Bombeiros, etc., embora não lhes reconheça as qualidades, as dificuldades em que vive e trabalha, o mérito da sua acção.
Precisávamos de políticos com metade dessa dedicação, generosidade, sentido das responsabilidades, amor aos outros, aos compatriotas, à Ordem.
E agora, em vésperas de eleições presidenciais, será bom pensar serenamente qual o candidato mais capaz de fazer sacrifícios pelos seres humanos em dificuldade, cujo passado nos mostra tais qualidades.
Os números do PIB e das estatísticas da propaganda são secundários perante os valores humanos e sociais.

Abraço
João
Do Miradouro

Luis disse...

Caríssimos Amigos,
Desde muito pequeno convivi com as Corporações da GNR e da PSP devido a meu Pai ter a elas pertencido e até mais tarde eu próprio ter pertencido aos quadros da PSP. Daí o reconhecimento das palavras deste post! Estes homens a quem acrescentaste os Bombeiros são pessoas que têm o "espírito de missão" que os faz transcenderem-se na ajuda e na defesa do seu semelhante! Que pena os nossos (des)governantes não seguirem o seu exemplo!
Um abraço amigo.