"Vós que lá do vosso império, prometeis um mundo novo...CUIDADO, que pode o povo, querer um mundo novo a SÉRIO!" In: António Aleixo

09/07/2010

Ainda o roubo dos gravadores pelo deputado Ricardo Rodrigues


Miserável

A Comissão de Ética da Assembleia da República resolveu arquivar o caso do deputado Ricardo Rodrigues. Não admira. Ela espelha o que é a dimensão ética do deputado em apreço. Nem melhor, nem pior. A imagem da própria imagem. Ou seja, uma casa que nada faz para se prestigiar e tudo faz para se autoflagelar. O deputado, ao apropriar-se dos gravadores dos jornalistas que o entrevistavam para a revista 'Sábado', não tem justificação, nem viabilidade de ser explicada como ele a explicou por via do sofrimento insuportável que lhe estavam a provocar. Não há artifício jurídico que albergue o acto despudorado a que assistimos através do vídeo que circula na Internet. Uma vergonha para o Parlamento.
É certo que quem está na vida pública é sujeito aos mais desencontrados enxovalhos. Às perguntas mais disparatadas, às insinuações mais pérfidas. Acontece e os jornalistas não são anjos seráficos, apenas apostados no bem público. Como em todas profissões, existem profissionais de excelência e tipos sem escrúpulos. Não são celestiais. São homens. Dito isto, é preciso também dizer que os deputados e outros titulares de cargos públicos não são deuses. Nasceram do mesmo barro que faz cada homem igual a outro homem no que respeita a direitos. Mas têm deveres acrescidos. Representam o Povo. Os eleitores. Não são (não deviam ser) profissionais da política mas profissionais que em dado momento da sua vida se desprenderam dos seus objectivos individuais para se entregarem à causa pública.
A atitude do deputado Ricardo Rodrigues não é exemplo. É um acto caceteiro. Principalmente a explicação que dá. Manhosa e insustentável. Um artifício pouco engenhoso mas original. Estou a ver os gatunos a entrar na PSP ou na PJ a explicarem-se: Aconteceu-me o mesmo que ao senhor deputado. Vi a mala da senhora, que recordava a mala da minha falecida mãezinha, e dominado por um sofrimento horrível exerci a acção directa, senhor guarda. Nada de roubo, apenas a expiação do meu sofrimento por acção directa! A mala? Está apensa a um processo que movi contra a mulher que a levava!
Uma entrevista não pode provocar sofrimento. Ninguém é obrigado a ser entrevistado. Nem os arguidos quanto mais cidadãos livres. Quem não quer responder, não responde, não aceita a entrevista ou, se aceitou, termina-a quando quiser. O resto é barbárie. E maior barbárie ser solidário com casos como este. Uma vergonha sem limites. Mas já nos vamos habituando a esta baixeza moral que degrada a democracia e as instituições públicas. Cada vez mais circo, cada vez menos sério. Uma tristeza.
Francisco Moita Flores

2 comentários:

Luís Coelho disse...

Todos os artigos de Moita Flores tem um cunho e uma analise bem ponderada e moralmente justificada.
Aqui apenas mostra aquilo que todos vimos e as consequências de um acto de pessoas sem moral nem vergonha que se julgam acima da lei.
É triste esta degradação continua dos políticos que temos e que se armam em heróis invertendo as situações ou apresentando-as deformadas.
A culpa é de toda esta tramoia política onde eles se protegem uns aos outros e nos sobrecarregam de impostos mais impostos.

Luciana Kotaka disse...

Ola caro Luís, vim desejar um belo fim de semana, com paz, amor, reflexão.
Um abraço carinhoso